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rss  Vol. XV - Nº 248         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 27 de Maio de 2020
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Bilhete de Lisboa

Por Filipa Cardoso

Moçambique - 2ª parte

Tendo chegado a meio da minha viagem a Moçambique é com grande entusiasmo que vou  relatar o resto da estadia.

 

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Bilene

Depois de ouvir as várias sugestões de amigos decidimos partir para Bilene que fica a cerca de 80 km a norte de Maputo.  Bilene é um aglomerado de casas, muitas de férias, e dois aldeamentos turísticos ao redor de uma lindíssima lagoa que tem uma estreita ligação para o Indico. Ficamos no Praia o Sol, numa cabana muito eco rústica, o que teve a sua graça.

Antes de partir para Moçambique tive conhecimento que um rapaz, de nome Samuel, estava a desenvolver um trabalho voluntário de grande mérito numa terra chamada Chókwè, não muito longe de Bilene.  Resolvemos por isso fazer o desvio até Chókwè.  Foi uma odisseia mas ao fim da manhã já estávamos a almoçar com o Samuel e o seu substituto.

O Samuel é um rapaz de 22 anos que está em Moçambique através da ONGD  «Um Pequeno Gesto, Uma Grande Ajuda».  Esta organização tem como missão a melhoria das condições de vida de crianças de Moçambique.  O trabalho do Samuel desenvolve-se numa escola com cerca de 1.300 crianças, muitas delas órfãs. Ficamos de tal maneira impressionados com tudo que vimos e ouvimos que quando partimos já tínhamos apadrinhado duas das crianças.

Mas a minha grande expectativa, e a principal razão da ida a Moçambique, era a visita ao Parque Nacional da Gorongosa, tesouro mundial da biodiversidade.

Para chegar à Gorongosa temos que ir de avião até à Beira e depois fazer um trajeto de cerca de 3 horas.  Este parque era mundialmente famoso, nos anos 60, pelo numeroso número de animais que aí existiam mas infelizmente, devido às guerras, foram quase todos mortos.  Desde 2004 a Fundação Carr, uma organização americana sem fins lucrativos, associou-se ao Governo de Moçambique para proteger e restaurar o ecossistema do Parque.  O parque tem cada vez mais animais e a equipa de funcionários residentes transmitem um entusiasmo contagiante que faz com que eu esteja seriamente a pensar em voltar para o ano a fim de ver o resultado dos vários projetos em curso.

Antes de terminar gostaria de deixar alguns dados que por lá obtive sobre este imenso País, com quase 800.000 km², chamado Moçambique:

População com menos de 15 anos -  cerca de 44%  (não vi velhos);

Esperança de vida 42 anos;

Taxa de analfabetismo 43% (presentemente com uma taxa de frequência do ensino primário superior a 95%);

PIB per capita, em 2008 - 370 $ USD;

Número de pessoas com sida (HIV), em 2010, 1,7 milhões numa população de pouco mais de 23 milhões;

No campo não vi vacas, cavalos, ovelhas ou qualquer máquina agrícola... E, voltando a Chókuè, designação que foi dada a Vila Trigo de Morais, junto ao rio Limpopo, está integrada numa região de enorme potencial agrícola, que me pareceu, manifestamente subaproveitado.

Mesmo assim Moçambique é um País fantástico com um povo que tem um dos sorrisos mais bonitos do Mundo.

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