logo
rss  Vol. XV - Nº 243         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 05 de Março de 2021
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContacto arrowÚltima hora arrowClima
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Para o novo Acordo Ortográfico

Brasil fez mais concessões do que Portugal

 

acordoortografico

Macau, China - O responsável pelo vocabulário ortográfico no Brasil, Evanildo Bechara, defendeu que o Brasil fez mais concessões para o novo Acordo Ortográfico do que Portugal, atribuindo a tese contrária defendida por muitos ao «abuso» das consoantes mudas.

«A base fundamental do Acordo Ortográfico está indissoluvelmente ligada ao Acordo de Portugal de 1945. Se há cedências foram do Brasil», disse o linguista responsável pela implementação do Acordo Ortográfico no Brasil, na abertura do 15.º Colóquio da Lusofonia em Macau.

Sobre as pesquisas de outros especialistas que indicam que o Acordo Ortográfico alterou 1,6 por cento do vocabulário de Portugal e 0,5 por cento do vocabulário do Brasil, Evanildo Bechara considerou que aquelas «resultam do grande emprego na escrita (de Portugal) de consoantes que não se pronunciam».

«Essa argumentação proporcional mostra apenas um facto: há um excesso de consoantes mudas. Não concordo com o argumento, porque no Brasil as mudanças representam quatro, cinco, seis cedências dos brasileiros e Portugal só fez uma», disse à Agência Lusa.

Segundo aquele membro da Academia Brasileira de Letras, de 83 anos, a «ortografia portuguesa usa e abusa das chamadas consoantes inarticuladas», enquanto que o Brasil, «desde 1943 e antes, adota a solução de escrever só os fonemas que se pronunciam».

O linguista constatou que «essas consoantes mudas estão em todas as páginas dos dicionários», o que faz com que o novo Acordo Ortográfico, em termos quantitativos, tenha maior impacto no vocabulário de Portugal do que no do Brasil.

«O brasileiro teve de abrir mão do trema, dos acentos em palavras com ditongos abertos como «ideia» e «jiboia» - e isso é uma agressão à pronúncia brasileira -, do circunflexo de «voo», «enjoo», «perdoo» e de «creem», «veem» e «leem» e os diversos empregos do hífen, muito mais próximos da ortografia portuguesa de 1945 do que a da brasileira de 1943», explicou.

Por seu lado, João Malaca Casteleiro, da Academia de Ciências de Lisboa, que participou na redação do Acordo Ortográfico, admitiu também a possibilidade de, «em termos absolutos, poder ter sido o Brasil a fazer mais alterações» do que Portugal.

Mas as alterações no vocabulário do Brasil «refletem-se num menor número de palavras, porque em Portugal a supressão das consoantes mudas afetou um número larguíssimo de palavras e de uso muito frequente», disse à Lusa.

«Não é possível chegar-se a um acordo perfeito porque 100 anos de «guerra ortográfica» geraram muitas diferenças assentes em pronúncias também diferentes. E portanto como unificar? Impossível, temos de consagrar a dupla grafia», concluiu.

Bechara reconheceu a importância do novo Acordo, que «reflete que os países de língua oficial portuguesa atingiram uma maioridade política e cultural».

O linguista referiu ainda que «se a unificação ortográfica era no século passado um anseio de professores, hoje tem interesses económicos e políticos para mostrar que aquele grupo de países tem um peso que antes não tinha», realçou.

O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2021