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rss  Vol. XV - Nº 243         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 05 de Março de 2021
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Editorial

O que nos espera

Por Carlos de Jesus

 

candidatos2011
Momentos antes do debate dos chefes

Quando sair a próxima edição deste jornal, o desfecho já será conhecido. Até lá só podemos falar em conjeturas. Qual terá sido o efeito do «Debate dos chefes» - em inglês e em francês - sobre a vontade do eleitor? Difícil de adivinhar, mesmo quando as sondagens instantâneas nos procuram alumiar a candeia. Num ponto elas concordam - os Conservadores vão ganhar. Maioritária ou minoritariamente, eis a grande incógnita.

Mas voltemos ao debate televisivo dos 4 líderes dos partidos representados na Câmara dos Comuns da semana passada. Que exercício democrático tão nulo, que perca de tempo para os espetadores eleitores. Em princípio, estavam ali para responder às questões dos eleitores que tinham sido escolhidos pelo consórcio das televisões. Uma escolha que pareceu judiciosa e apartidária. As perguntas foram pertinentes. Mas as respostas, evasivas se não ignoradas.

Viva o manual da boa conversação em língua de pau!

Nenhum dos presentes, na verdade, estava ali para falar com os eleitores. Para lhes explicar a razão por que tinham provocado esta eleição, e o que é que prometiam fazer, uma vez eleitos, para melhorar os destinos dos canadianos. Todos procuraram «deitar abaixo» os adversários, como num ringue de boxe. Nem mais, nem menos.

Michael Ignatieff pode bem clamar que não se candidatou para ser chefe da Oposição. O que é fácil de acreditar. Tendo porém em conta os resultados constantes das recentes sondagens (que não têm o hábito de errar por muito) com 40% para os Conservadores e 28% para os Liberais, força é de constatar que a única hipótese de vir a ser primeiro-ministro é chefiando uma coligação com os sociais-democratas do NPD e o beneplácito do Bloc Québécois. No entanto, teima proclamar por tudo quanto é tribuna que não senhor, que não vai fazer nenhuma coligação.

Jack Layton, o simpático e sofredor líder social-democrata, vai mais longe - «quando eu for primeiro-ministro» - diz ele sem pestanejar, mesmo com um placar diante dos olhos a apontar para uns magros 18 por cento nas intenções de voto.

Stephen Harper, outra incongruência, não resiste à mais banal análise lógica. Afirma que é preciso um governo maioritário porque a crise económica ainda não findou e é preciso um governo forte para dirigir os destinos do país. Que os governos minoritários passam mais tempo a discutir que a governar. Ora é ele próprio a afirmar, ao mesmo tempo, que foi sob a sua direção, por conseguinte, à frente de governos minoritários, que o Canadá pode atravessar com sucesso a grave crise económica mundial. O desemprego tem estado a diminuir e as empresas a recuperar. Não é isto a prova que um governo minoritário funciona? Porque é que ele não diz claramente que precisa dum voto maioritário para pôr em prática o seu programa político, inspirado pela direita americana - licença de porte de armas, reforço do arsenal militar, restabelecimento da pena de morte, criminalização do aborto, prisões para os jovens delinquentes, repatriamento dos refugiados e tutti quanti... Tudo quanto agrade aos movimentos religiosos do oeste que acreditam que as leis em geral se devem subordinar às suas convicções particulares, tal como os muçulmanos acreditam que a sociedade se deve, toda ela, subordinar à Sharia.

Mas a cereja no topo do bolo, em matéria de incongruência, vai toda direitinha para Gilles Duceppe, o líder do Bloc Québécois. Qual é a mensagem que ele apregoa? - Que é preciso votar no Bloc para evitar que Stephen Harper forme um governo maioritário. Mas se é para tal, porque é que ele votou a queda do governo que já era minoritário? Sabendo, com toda a sua experiência de 20 anos de parlamentar que só os Conservadores, neste momento, estão em condições de formar um governo maioritário, qual é a verdadeira razão de quererem estas eleições?

Toda a gente sabe que o voto maioritário nos Conservadores se deve ao facto de os Liberais terem sido quase varridos do Quebeque pelo Bloc Québécois. Por conseguinte, a única maneira de barrar a maioria aos Conservadores era de pôr o Quebeque alinhado com Michael Ignatieff. Votar no Bloco é dar a maioria aos Conservadores e não o contrário. Mas para compreendermos a lógica de Gilles Duceppe e do Bloc, temos de compreender o que é que eles fazem no Parlamento canadiano. O próprio nome o diz - para bloquear o funcionamento do Canadá. E para quê - perguntar-se-á? Para provar aos quebequenses que este país, o Canadá, não funciona. Que é preciso fazer-se a independência do Quebeque.

Foi o que ele disse no passado domingo, depois de ser conhecido o resultado do voto de confiança histórico na líder do Parti Québécois, Pauline Marois. «Com Pauline, como futura primeira-ministra do Quebeque e o Bloc em Otava, tudo é possível para prepararmos a independência»

Com Pauline à frente do governo do Quebeque - alternance oblige - e Gilles Duceppe em Otava, é claro que tudo vão fazer para provocar o maior número de conflitos possível com o governo federal a fim de levarem a água ao seu moinho.

Tempos tumultuosos à vista perante um tal guião. Mas que, esperemos, venha a servir para desencadear um terceiro e derradeiro referendo, do qual saia uma decisão clara sobre a presença do Quebeque no seio do Canadá.

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