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Apontamento político:

O meu voto vai para o Partido Liberal do Canadá

Duarte M. Miranda

Por Duarte M. Miranda*, Especial LusoPresse

duarte.miranda@videotron.ca

11 de abril de 2011 - Estou de malas feitas para uma curta estadia em Paris, a «Cidade luz». Não me será possível acompanhar tão de perto como eu gostaria toda esta reta final até ao dia das eleições federais, a 2 de maio próximo. Por isso, achei por bem deixar esta matéria nas mãos do editor do LusoPresse, Norberto Aguiar, para publicação na próxima edição do jornal.

 

candidatos2011

 Na minha última crónica, «Palavras e Ideias», eu tive a oportunidade de relatar a minha surpresa perante o fato que os partidos da oposição tenham decidido forçar novas eleições a esta altura. Mesmo se continuo mantendo certas reservas quanto à perspicácia de forçar a demissão do Governo Conservador agora, não posso fugir ao fato que estamos em plena campanha eleitoral. Cabe-me, pelo menos para mim mesmo, avaliar as propostas, as promessas e todas as declarações feitas pelos diferentes chefes de partido no dia-a-dia da campanha.

No passado dia 6 de abril, eu tive a oportunidade de assistir a uma assembleia do Partido Liberal no círculo eleitoral de Brossard-La Prairie onde eu resido, na companhia do chefe do partido, Michael Ignatieff, e obviamente, da Alexandra Mendes, a deputada de origem portuguesa que representa atualmente o meu distrito eleitoral. É com um orgulho óbvio que eu fui apoiar a «nossa» deputada que eu venho, também orgulhosamente, apoiando desde a sua eleição inicial. Estavam também presentes deputados e candidatos a deputado de outros círculos eleitorais. Notei, em particular a presença de Bob Rae, que eu tinha apoiado na campanha à chefia do partido em 2008, assim como o deputado e ex-ministro Denis Coderre, a senadora Céline Hervieux-Payette e a ex-ministra Lucienne Robillard, com quem eu tinha negociado em 1997 a extinção da exigência de visto para os Portugueses querendo visitar o Canadá. A assembleia estava eletrizante, como era de esperar, mas não foi esse aspecto que chamou mais a minha atenção. Fiquei sobretudo impressionado com a capacidade de Michael Ignatieff em comunicar de forma clara e credível com os simpatizantes presentes. É evidente que nos últimos meses ele conseguiu impor o seu estilo e, sobretudo a sua autoridade àqueles que continuavam fazendo com que ele próprio carregasse o histórico da era Dion.

Eu teria preferido fazer este ato de fé mais para o final da campanha e, particularmente, depois dos dois debates entre os chefes que estão vindo aí. No entanto, só um erro enorme por parte de Ignatieff no resto da campanha me faria mudar de ideia. Acho essa probabilidade nula. Pelo contrário, acredito que o Partido Liberal vai continuar consolidando os seus compromissos em favor das famílias canadianas e a responsabilidade fiscal que nos propõem. De facto, o programa do partido, não só tem promessas e perspectivas em relação às jovens famílias, como também busca favorecer os idosos e as famílias confrontadas com situações críticas, como aquelas que envolvem tomar conta de um parente doente. Acredito também que o Partido vai fazer prova da prudência e da perspicácia a que nos habituou na era Chrétien/Martin, quando limparam as finanças do país, eliminando o buraco de cerca de 50 mil milhões de dólares que nos assolou durante alguns anos. Aliás, foi este feito, em grande parte, que permitiu ao Canadá de adoptar medidas e políticas que no fim nos salvaram dos maiores males durante a recente crise económica mundial, como aqueles que assolaram os Estados Unidos e boa parte da Europa e Japão, e que permitiram ao Governo conservador de parecer ilustrar-se durante essa crise.

O Partido conservador quanto a ele vai continuar no seu jogo das meias verdades ou dos compromissos incompletos. Alguns poderão dizer que é jogo político dos liberais ao acharem que há um erro (um «buraco) de 11 mil milhões de dólares no programa que os conservadores acabam de nos anunciar. Mas não! Outros analistas, independentes, chegaram à mesma conclusão. Aliás, o próprio ministro das Finanças, James Flaherty, admitiu durante uma entrevista à Kathleen Petty da CBC, que o Partido Conservador não incluiu no seu plano nenhumas das economias ou poupanças necessárias para que o orçamento proposto no seu programa funcione, «porque ainda não conseguimos essas economias.» E o que vão fazer caso não consigam mesmo achar as poupanças nos gastos de que necessitam? De duas, uma: ou aumentam os nossos impostos, ou cortam nas promessas. E que dizer da questão do tratamento que os conservadores parecem dar à democracia? Recordemo-nos da sem-vergonhice de que foram capazes, conforme eu relatei na minha última crónica, durante as últimas semanas no Parlamento! E os tristes e preocupantes episódios dos últimos dias, admitidos e reconhecidos pelo próprio Stephen Harper, quando ficamos sabendo da expulsão de três jovens - três moças estudantes - que tentavam assistir calmamente a assembleias do Partido Conservador em Guelph e London, no Ontário? Parece até que não estamos no Canadá! Não esqueçamos também o tratamento e a intolerância de que nossas comunidades foram vítimas, meras semanas depois da eleição desse partido em Janeiro de 2006, e que resultaram na expulsão de dezenas de famílias portuguesas que estavam na espera de documentação legalizando o seu estatuto de imigrantes no Canadá. Aliás, mesmo se eu posso compreender e, até certo ponto, apoiar a atuação do governo em certos desses casos, não tenho dúvida de que as comunidades portuguesas foram alvejadas devido à sua afinidade histórica com o Partido Liberal. Não tenho também nenhuma afinidade com as propostas do Governo conservador em gastar 16 mil milhões de dólares do nosso dinheiro para comprar aviões de guerra. Não fosse esse montante já importante, eis que um especialista americano, o senhor Winslow Wheeler, do « Centre for Defense Information» em Washington, segundo a CTV, declarou que na realidade o custo desse programa de compra de aviões militares pelo Governo canadiano, seria, no mínimo, o dobro do valor de 16 mil milhões de dólares que Harper promove. Não, muito obrigado! Não!

Quanto aos outros partidos, já mostrei as minhas cores. O NPD ainda está na zona «da aventura». São aventureiros! Ao senhor Layton falta-lhe a credibilidade, e a demonstração de ser capaz de agir nos interesses dos eleitores canadianos, antes daqueles do seu partido. Sou um pouco (muito?) socialista na alma, e não elimino a possibilidade que esse partido venha a propor alternativas interessantes e sustentáveis no futuro. Mas ainda não chegaram lá, e não com o «folclorismo» político do senhor Layton.

Aqui, no Quebeque, o «Bloc Québécois» obriga-nos a viver à margem das decisões políticas que forjam o nosso dia-a-dia, o nosso futuro e a nossa situação de cidadãos canadianos. É triste! Obviamente que nada têm a propor, senão o jogo do «pitbull» roedor dos ossos, dos quais os outros terão extirpado qualquer carne. Nada podem propor! Pasmo diante do facto de tanto cidadão do Quebeque aceitar de subordinar seus direitos de cidadãos canadianos à aventura proposta há tantos anos pelo BQ e ao oportunismo político crasso de que faz prova esse partido provinciano. Enquanto isso, a Front Street de Toronto continua a assegurar o bem-estar e a prosperidade dos cidadãos do Ontário, ao detrimento, não tenhamos dúvidas, da nossa própria prosperidade. Se, de fato, precisaríamos de muito mais que uma única eleição para reverter essas consequências nefastas da aventura separatista/independentista, da qual o BQ é um dos principais portadores, precisamos de buscar seriamente uma alternativa democrática a essa aberração que beneficia sobretudo gente que, ao longo dos anos, se deram uma carreira com bom rendimento mensal e farta reforma garantida. Não fosse minha grande admiração e meu compromisso inequívoco com a democracia, falaria de pentelhos na forma brasileira da palavra...

A alternativa? Não me parece haver dúvida nenhuma: o Partido Liberal. O partido já pagou bem pago o jogo sujo de alguns militantes e parasitas do sistema há alguns anos atrás. Esses foram afastados! É um partido com uma forte tradição democrática, que forjou os maiores e melhores atributos e conquistas do Canadá. Um partido que, mais do que nenhum outro, soube abrir as fronteiras da oportunidade a imigrantes, como aqueles vindo de Portugal nos últimos quase sessenta anos. Não nos esqueçamos, não sejamos ingratos... nem oportunistas! O Partido Liberal merece o nosso voto! Quanto à obrigação de exercer o nosso direito de votar, faço um apelo para que todos e todas a exerçam, incluindo os mais jovens. Não aceitem que outros decidam por si: por um partido ou pelo outro, votem, por favor! Para que a democracia nunca venha a ser refém ou vítima dos sonhos e fantasmas daqueles que acham que os outros não contam, votem!

* Conselheiro para a internacionalização da economia portuguesa no Canadá.

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