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rss  Vol. XV - Nº 237         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Março de 2021
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No domingo, dia 23 de Janeiro

Corrida a Belém

Inês Faro

Por Inês Faro

Na última edição do LusoPresse traçámos um breve perfil dos principais candidatos à Presidência da República. Agora, a poucos dias das eleições presidenciais, apresentamos um resumo das propostas de cada candidato, tendo como base os manifestos disponíveis nos sítios internet. Fazemos notar que o espaço que dedicamos aqui a cada um dos candidatos é o reflexo dos seus manifestos de candidatura, ou seja, a forma mais ou menos extensa com que elaboram cada uma das suas propostas, e não o resultado de preferências pessoais.

Aníbal Cavaco Silva:

 "Na atual conjuntura 

cavaco em triunfo
"Na atual conjuntura [crise económica], de grandes dificuldades, não tinha o direito de tomar outra opção", é assim que o atual Presidente da República justifica a sua recandidatura

[crise económica], de grandes dificuldades, não tinha o direito de tomar outra opção", é assim que o atual Presidente da República justifica a sua recandidatura. Cavaco Silva começa por afirmar a sua crença no desempenho dos portugueses com vista a um Portugal melhor. Destaca ainda a necessidade que Portugal tem de um Presidente capaz de mediar conflitos, ponderado e racional na ação política. No seu manifesto, o candidato aponta as fragilidades da economia portuguesa e as consequências da má gestão dos últimos anos. Cavaco Silva apela à verdade por parte dos dirigentes e propõe uma direção para o país que premeie a competitividade e o empreendedorismo. Sublinha ainda as vantagens naturais e geográficas do país, como sejam a fileira florestal, turismo rural e ambiental e a tradição marítima. O candidato fala ainda na importância da manutenção da credibilidade externa. Refere-se também à necessidade de apoiar as comunidades portuguesas e à divulgação da língua portuguesa. Cavaco Silva finaliza o seu manifesto com um apelo à coesão nacional, reforçando uma vez mais a crença nos portugueses.

Defensor Moura:

 

defensor moura
O candidato Defensor Moura encara a sua candidatura como mais uma "estimulante etapa de um percurso profissional, social e político de serviço à comunidade".

O candidato Defensor Moura encara a sua candidatura como mais uma "estimulante etapa de um percurso profissional, social e político de serviço à comunidade". O candidato considera que a Presidência da República tem sido vulgarizada e defende a necessidade da unidade do Estado com cooperação entre os órgãos de soberania. Defensor Moura defende ainda o mandato único para o cargo de Presidente da República. Em oposição à lentidão da máquina burocrática centralizada, Defensor Moura proclama a descentralização e a autonomia administrativa das regiões. O candidato considera o clientelismo como um "cancro maléfico", defendendo em contrapartida o Mérito e a Transparência na administração do património. Defensor Moura critica veementemente a ociosidade e o parasitismo social e salienta, em oposição, o valor do trabalho e do serviço voluntário à comunidade.

Francisco Lopes:

O candidato apoia

francisco lopes candidato
Francisco Lopes, o candidato apoiado pelo PCP, centra o seu manifesto na luta contra as injustiças sociais,

do pelo PCP centra o seu manifesto na luta contra as injustiças sociais, os baixos salários, o corte nas prestações sociais e a generalização da precariedade do trabalho, à proteção dada ao grande capital. Na mesma linha classifica o processo de integração europeia, como "capitalista" e crítica as políticas de direita nesta matéria. Francisco Lopes apresenta a sua candidatura como uma alternativa, "patriótica e de esquerda". Nesse sentido, defende a soberania dos trabalhadores e do povo, o aumento dos salários e das pensões, assim como a elevação do poder de compra. O candidato bate-se por um setor público forte e determinante, pelo apoio às PME, pela defesa dos serviços públicos, e pelas funções sociais do Estado, na saúde, na educação, na segurança social. Destaca também as potencialidades da agricultura, das pescas e dos recursos marítimos. Francisco Lopes expressa ainda o seu desejo de uma maior autonomia do Poder Local, a concretização da regionalização. Já na política externa defende uma rutura com o processo de integração europeia e com a "postura de submissão à NATO".

Fernando Nobre:

 

presidenciais fernando nobre candidato
Fernando Nobre é de todos os candidatos aquele que deixa mais dúvidas sobre o seu espaço político

Infelizmente fomos confrontados com um "Em breve poderá consultar o manifesto da candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República". Fernando Nobre é de todos os candidatos aquele que deixa mais dúvidas sobre o seu espaço político, que diz não ser definido nem à esquerda, nem à direita, nem ao centro, mas como o espaço da "liberdade, da justiça social, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência na vida pública". O fundador da A.M.I. apela à mobilização de todos os portugueses através do "poder das palavras contra as palavras do poder".

José Manuel Coelho:

"Coelho ao poleiro" é o mote da candidatura de José Manuel Coelho. O candidato madeirense começa por classificar o atual regime como caduco, oligárquico e corporativista. No curto manifesto, "o pintor de construção civil, jornalista, deputado e revolucionário" diz que a sua candidatura é de protesto e serve para apontar e denunciar casos de corrupção naquela que considera uma "pátria agonizante". O candidato opta pelo tom satírico para nortear a sua campanha, como revela a frase: "Basta de pastéis, Coelho a Belém".

Manuel Alegre:

 

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Manuel Alegre considera ser necessário um Presidente com uma "personalidade aberta ao mundo

"Esta é a hora de um novo sobressalto patriótico, de um novo idealismo democrático e de um novo fôlego para a República", é assim que o candidato finaliza o primeiro ponto do seu "Contrato Presidencial". Manuel Alegre considera ser necessário um "novo fôlego para a construção europeia", uma Europa com um projeto de cidadania. O candidato apoiado pelo PS considera que a "grande arma" de um Presidente é a Palavra e acusa o atual Presidente da República de alimentar silêncios desnecessários e ambíguos. Manuel Alegre considera ser necessário um Presidente com uma "personalidade aberta ao mundo, com uma visão de modernidade, liberdade e justiça social, que lute contra as discriminações e não tenha preconceitos conservadores". O candidato aponta a prioridade de valorizar a dimensão euro atlântica de Portugal. Manuel Alegre defende a prevenção da segmentação social e da discriminação racial. O candidato destaca-se ainda na promessa de que tudo fará para impedir a liberalização dos despedimentos através da eliminação do conceito de justa causa, e a defesa dos instrumentos do Estado Social. O candidato defende ainda a necessidade de mudar de paradigma e de estratégias económicas. As apostas, para Alegre, devem ser feitas na área das tecnologias emergentes, do turismo, das indústrias criativas e da saúde. Propõe também que se refaça o tecido industrial e que se invista na economia social. Apela ao aprofundamento das autonomias regionais e aos projetos de regeneração urbana. Por último, dirige-se aos jovens prometendo-lhes um "lugar ao sol" se for eleito Presidente.

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