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rss  Vol. XV - Nº 237         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Março de 2021
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Cimeira das Nações Unidas, em Cancún, México

Mulher salva do falhanço o Acordo Ambiental

Fernando Pires

Por Fernando Pires

É possível que no momento em que este texto seja publicado, já não tenha o impacto desejado sobre o leitor! No entanto, é sempre uma opinião diferente de qualquer uma outra. Mas antes de tudo, deve dizer-se que o acordo de Quioto dos 55 países signatários termina em 2012.

Desde o início da abertura da cimeira do México, que a troika desta cimeira formada pelo Japão, Rússia, Canadá, e encabeçada pelos Estados Unidos, era sinal de mau auguro sobre um resultado final positivo que dali poderia sair. O fracasso a vinte e quatro horas do seu encerramento, mostrava que as boas esperanças dos países mais determinados a avançar com um resultado comum para todos estavam em maus lençóis.

Finalmente, à medida que o tempo avançava um certo consenso multilateralista dos 192 países foi conseguido. A obreira deste pequeno sucesso teria sido uma mulher, ou seja a ministra Patricia Espinosa, dos Negócios Estrangeiros do México. Foi ao país acolhedor da conferência a quem coube presidir esta convenção, "confiando-lhe 5 grandes dossiês litigiosos", que acabaram por implicar todos os países.

Mulher hábil, e talvez uma estratega determinada, soube organizar os países Norte-Sul, confrontando-os para conseguir o consenso, identificando assim o egoísmo dos "países ricos" que impunham as suas condições.

Segundo as reportagens dos Média que nos deram conta deste evento mundial, foi devido à pressão dos Estados Unidos e dos países emergentes que os resultados obtidos se concretizaram.

Não esqueçamos que os Estados Unidos é o país com mais emissões de gases com efeitos de estufa por capita, recusando baixá-las a menos de 10%, enquanto a comunidade científica mundial prevê para o ano 2012 entre 25% a 40%. A questão que agora se põe é: se não tivesse havido uma sensibilidade e uma abertura dos países pobres, será que teria havido progresso, mesmo se este passo não é ainda determinante? O Canadá foi para o México inspirado numa política das areias betuminosas da província de Alberta, que é a filosofia económica deste governo, muito vantajosa, "através de uma fiscalidade generosa" do petróleo, mas que tem como consequência os gases com efeitos de estufa, que em "1990 eram de 30%, enquanto, segundo a norma, deveriam ser 6%".

Scott Vaughn, comissário para o meio ambiente canadiano, denunciou o governo do Canadá, ao mesmo tempo que decorria a cimeira em Cancún, por falta de precisão e coordenação "sem nenhum plano de adaptação às mudanças climáticas"... acrescentando, que o ministro do ambiente, "não pode garantir aos utilizadores dados sobre a qualidade da água que convenham às utilizações previstas", dando como argumento a "falta de completa preparação para reagir ao transbordo do petróleo na água".

Esta denúncia é também confirmada por Thomas Mulcair, do NPD, quando diz que "O Canadá é o pior cancro da classe internacional", acrescentando ao mesmo tempo que a pessoa de John Baird não tem "nenhuma credibilidade" em matéria do meio ambiente.

No jornal "Le Devoir" de 16/12/2010, o grande analista nesta matéria Louis-Gilles Francoeur, citando a Société royale do Canada (SRC), um organismo científico, afirma que: "Otava e Alberta controlam mal as areias betuminosas".

Apesar de tudo, com a voz discordante de Evo Morales, da Bolívia, a cimeira conseguiu criar uma Comissão de 40 membros, com 12 ricos e 12 pobres, para gerir um "Fundo Verde Climático", "para 2020, de 100 milhões de dólares, ajudando assim os países menos desenvolvidos".

Mas o discordante Evo Morales é capaz de ter razão quanto ao futuro dos 40 países insulares do planeta, quando o nível do mar atingir as costas dos limites científicos previstos.

O embaixador alemão Peter Witting, do Instituto de Berlim, apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para se debruçar sobre o aquecimento climático, que a longo termo teria consequências catastróficas da deslocação das populações insulares.

Isto foi um ponto invocado por Evo Murales em Cancún!

Quanto ao eco que nos chega de Portugal sobre esta cimeira, pode dizer-se que para a ministra do ambiente Dulce Pássaro foi um "acordo climático vinculativo".

Finalmente, o Canadá, como atrelado aos Estados Unidos, foi forçado a acompanhar a carruagem, devendo-se este passo em frente que aflige a humanidade, à sensibilidade dos países pobres, que segundo os seus recursos limitados querem evitar uma catástrofe planetária.

De toda a maneira, o egoísmo do capitalismo está-se nas tintas se "a massa oceânica, que cobre 71% da superfície da Terra, e considerada até ao presente como um poço sem fundo, que começa a mostrar os seus limites de digestão dos refugos da atividade humana". (Hervé Kempf, "Como os ricos destroem o planeta", Seuil 2007).

Ref.: jornal "Le Devoir" 4, 6, 7, 8, 10, 12, 13, 14 - Dezembro 2010

Jornal "Diário de Notícias 12 e 13 - Dezembro 2010.

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