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rss  Vol. XV - Nº 236         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 04 de Março de 2021
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Tenor português em Montreal

Uma história de amor...

Vitória Faria

Por Vitória Faria

Acontecimento excecional na nossa comunidade, a visita a Montreal do tenor português Carlos Guilherme. Com efeito, no sábado passado, dia 18, o cantor lírico atuou na Associação Portuguesa do Canadá durante um jantar concerto. O jantar, previsto para as 19 horas começou com algum atraso, não por culpa dos organizadores da soirée mas do atávico mau hábito lusitano dos convivas. Felizmente, o pessoal da APC presenteou os convidados com um lauto menu, delicioso, quase pantagruélico. O creme de espinafres, a entrada de bacalhau à Brás, o assado, a sobremesa e o tradicional arroz doce, tudo estava impecável. Servir mais duma centena de convivas leva o seu tempo mas o pessoal benévolo da APC foi impecável. Merecem uma menção muito especial porque assim prepararam condignamente a assistência para a apresentação do espetáculo que se lhe seguiu.

Eram dez horas em ponto quando as luzes se apagaram para a segunda parte do serão. A apresentação esteve a cargo de Luís Tavares Bello, que começou por sublinhar a feliz a vinda de Carlos Guilherme a Montreal graças a um conjunto de circunstâncias. Sublinhou a presença numerosa da assistência para quem – gracejou – por vezes o qualificativo de «tenor» pode meter medo. Fala por experiência própria – disse – visto que para o ano que vem faz 35 anos como organizador de espetáculos, mas nunca pensaria «ser possível um dia apresentar aqui um como o de hoje». Adiantou o apresentador – «Muita gente se queixa que só trazem a Montreal cantores de fraca qualidade, de música pimba, embora os que apreciam o género também tenham direito, mas quando o nível do artista é grande por vezes não se apresentam». Contudo, desta vez teve a agradável surpresa duma certa resposta da parte da comunidade e de descobrir no cantor, que não conhecia pessoalmente, uma pessoa de exceção: a começar pela voz, que é fabulosa mas também no seu trato com os outros, a afabilidade sem nenhum traço de vaidade ou vedetismo.

Seguiu-se uma breve saudação em francês para os não lusófonos presentes e que eram relativamente numerosos. Concluiu com um pequeno resumo da carreira do tenor da qual respigamos alguns traços.

Biografia

Carlos Guilherme nasceu na Beira, Moçambique, em 1945, e foi nessa cidade que estudou no Liceu Pêro de Anaia. Para continuar os seus estudos de canto estabeleceu-se na Rodésia, onde trabalhou com a professora Greta Muir. Estreou-se na Companhia de Ópera de Salisbúria na ópera Um Baile de Máscaras. Depois de ter ganho o Concurso Internacional de Eisteddfod radicou-se em Portugal a partir de 1976, tendo ingressado em 1980 como artista residente no Teatro Nacional de São Carlos. Estreou-se na ópera Macbeth, seguindo-se entre outras A Flauta Mágica, O Rapto do Serralho e O Barbeiro de Sevilha. Também colabora regularmente com o Círculo Portuense de Ópera, tendo-se distinguido particularmente nas suas interpretações de A Paixão Segundo S. João e Carmina Burana.

A sua carreira internacional inclui colaborações com a Companhia de Ópera de Florença, a Orquestra de Bolonha, a Sinfónica de São Francisco, a Filarmónica de Moscovo, a Orquestra Sinfónica de Budapeste, A Nova Ópera de Telavive, a Sinfónica de Xangai, e outras atuações em Espanha, França, Bélgica, Itália, Brasil e Macau.

Participou num concerto de José Carreras em Coimbra, em 2003.

Gravou vários discos: «Histórias de Amor» em 1991, dois anos mais tarde «Canções em Português» e em 2006 «Encontro», em conjunto com Anabela, uma cantora de teatro musical muito famosa em Portugal. Ganhou diversos prémios e também discos de prata, de ouro e dois discos de platina.

Foi então que Carlos Guilherme entrou no palco e se dirigiu à assistência com simplicidade e humor. Abriu o espetáculo com um velho sucesso musical «Se os meus olhos falassem» e muitos dos presentes trautearam baixinho o refrão. Seguiu-se «O sole mio» acompanhado (em gravação) pelo conjunto de bandolins da Madeira. E continuou alternando áreas líricas (funi culi funi cula), canções de folclore (giesta da serra), canções populares em francês (C´est la rose l´important), inglês (My way), espanhol (Granada) para, finalmente, chegar ao fado. Decidiu-se a cantar fado o facto de um tenor espanhol o querer fazer. A pedido da assistência cantou um dos seus grandes êxitos «Quando o coração chora de amor».

Como recordação da sua passagem pela nossa cidade foi-lhe oferecida uma estatueta de arte esquimó. E o cantor presenteou-nos com uma última interpretação sua, desta vez «As Carvoeiras». Uma grande voz de tenor, uma maneira de introduzir os trechos com um humor subtil e duma grande finesse e um espetáculo inesquecível.

Desde já se começou a prever uma nova visita do cantor para o próximo outono, mas desta vez numa verdadeira sala de espetáculos condigna da voz do tenor.

Música
Acontecimento excecional na nossa comunidade, a visita a Montreal do tenor português Carlos Guilherme. Com efeito, no sábado passado, dia 18, o cantor lírico atuou na Associação Portuguesa do Canadá durante um jantar concerto.
Tenor potugues em Montreal.doc
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