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rss  Vol. XV - Nº 236         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 04 de Março de 2021
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Será que a Finança tem uma Identidade...

Ou será que é filha da Finança «Nómada»?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Antes de levantar algumas pistas de forma geral do assunto a tratar, visto que não sou um especialista da matéria, quero aqui deixar algumas frases e palavras sem me autocensurar!

Sei de antemão que hoje os poucos leitores da nossa praça que leem, poderão dizer simplesmente – o homem bate sempre na ceguinha –, têm todo o direito de o dizerem, para isso existe a democracia. Mas uma coisa é certa (mesmo se não existem certezas), é preciso invocar os problemas atuais que mais afligem: a pobreza dos que labutam na sociedade vendendo a sua força de trabalho (porque é de isso que se trata) para sobreviverem. A arma que lhes resta, é oporem-se a um capitalismo desumano que priva os pobres de comerem três refeições por dia, de terem acesso a um teto, e à educação para os filhos. Ignorar isto, é ser-se cínico, indiferente, e resignar-se.

Ora isso, só pode prevalecer naqueles que não têm força de vontade e vomitam constantemente, palavras tais como: «os políticos o que querem é tacho, pá, são todos mentirosos, corruptos, não há em quem se fiar, não há nada a fazer». Mas olhem que se calhar não é tanto assim, ainda há gente virtuosa que se preocupa com o bem público.

Contudo, este governo conservador, que outrora criticou o governo antecedente de extravagante, não respeita a ética por ele próprio apregoada, sobretudo quando o Sr. Harper autoriza o seu ministro Stockwell Day, presidente do Conselho do Tesouro (Jeová?) a gastar 7 400 dólares em bebidas, isto depois de três meses antes, ter anunciado compressões hospitalares e em ministérios do seu governo.

Não, não podemos abdicar de denunciar a roubalheira da finança, enquanto a ciência económico-social, a ecologia, forem determinantes para a distribuição da riqueza da produção dos bens essenciais e do equilíbrio para a sobrevivência da humanidade.

Ora quem está hoje na ribalta económica e política, senão o poder e a finança?

O alemão Max Weber, grande sociólogo e jurista de formação, opôs-se no século vinte a Sombar, que dirigia com ele e Schumpter, os «Archiv fur sozialwissenchaft und sozialpolitik» e de que em 1964 foi publicada uma tradução francesa tendo como título: «L’éthique protestante et l’ esprit du capitalisme».

Não esquecer que, como religioso, Martinho Lutero, na Alemanha, de 1524-1525, revoltou-se contra Roma, acendendo o fogo com a reforma protestante, atacando a nobreza alemã com as epístolas de São Paulo a favor dos camponeses.

E foi portanto a partir de 1533 com João Calvino, homem político e religioso, que instaurou a moral puritana calvinista e a «racionalização económica», que caracteriza hoje o sistema capitalista «doméstico» e o capitalismo «nómada», que se esconde em paraísos fiscais com pele de raposa e sem identidade.

Chamamos capitalismo doméstico àquele que não passa além-fronteiras e capitalismo nómada, aquele que tem força de relâmpago.

No entanto, «sem nenhuma dúvida» diz-nos M. Weber que «o capitalismo apareceu em 1632 no país natal de Benjamim Franklin» (no Massachusetts), antes do «desenvolvimento do capitalismo», e que depois (desde 1632), se tornou em lamento (na Nova Inglaterra)...

Veio mais tarde a revolução industrial na Inglaterra que lhe deu um empurrão.

Deve dizer-se que o conceito capitalista de hoje anda vestido de outras roupagens.

Segundo um dos novos gurus, Henry Mintzberg, professor na Universidade McGill e perito do mundo dos negócios em «marketing», este professor, referindo-se à economia americana, afirma que os americanos «não podem fazer o que eles têm sempre feito» não podendo ser outra coisa que: «levá-los a obterem aquilo que sempre obterão», ou seja, a maneira como eles têm gerido as empresas de produção. Este professor, acrescenta também, que «prefere os descobridores aos exploradores».

Quer isto dizer que, para falar como Jacques Attali, a finança hoje é «nómada» no espaço de alguns segundos na Net, e viaja também na «aldeia global» da Galaxis de Mac Luhan com passaporte e visto «financeiro» do Vaticano, e de todas as outras religiões dos cinco continentes!

Finalmente, deve dizer-se que o livre «nomadismo financeiro», não ajudará a resolver a justiça social e a pobreza mundial.

Gostaria de aqui transcrever uma parte de um poema de um disco do grande cançonetista índio argentino.

Perguntitas sobre Diós (A. Yupanqui)

Índio Argentino

Um día yo pergunté:

Abuelo, dónde está Diós.

Mi Abuelo se puso triste,

y nada me respondió.

Mi abuelo morio en los campos,..

Mi padre morio en la mina...

Mi hermano vive em los montes...

Hay um assunto en la tierra

más importante que Diós.

Y es que nadie escupa sangre

pa que otro viva mejor.

Y que nadie le pregunte

si sabe dónde está Diós.

Por su casa no ha passado

tam importante señor.

yo canto por los caminos,

y quando estoy en prisión

oigo las voces del pueblo

que canta mejor que yo.

Ref: Max Weber, L»éthique protestante et L’esprit du capitalisme

Le Monde, Flammarion, Dezembro 2009

Jacques Attali, com Stéphanie Bonvicini, Robrt Laffont, Setembro 2010

Jornal «Le Devoir» 4-12-2010/6-12-2010.

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