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rss  Vol. XV - Nº 236         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 04 de Março de 2021
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Relato da intervenção de Norberto Aguiar no Congresso da FPJQ

«Não somos Média de gueto»

Norberto Aguiar na FPJQ jornalismo.JPG

Pela primeira vez na história de 42 anos da FPJQ (Federação Profissional dos Jornalistas do Quebeque) foi dada voz aos jornalistas das Comunidades Culturais. Essa oportunidade aconteceu, como foi relatado na nossa última edição em trabalho de reportagem da autoria do nosso jornalista Jules Nadeau, no decorrer do 10° Congresso anual daquela organização, que conta com cerca de dois mil associados, 600 dos quais tomaram parte no encontro do Hotel Hyatt, no Complexe Desjardins, em Montreal.

Caros colegas,

MUITO OBRIGADO PELO CONVITE

Norberto Aguiar na FPJQ Norberto intervencao.jpg
PhotoByJules Nadeau - LusoPresse

Estou contente de vos vir falar da Comunidade Portuguesa e do jornal LusoPresse de que sou o editor e chefe de redação. No ano que vem vamos festejar o 15º aniversário da sua fundação. Um bimensal que é distribuído gratuitamente, que está na Web, e donde tem uma irradiação internacional.

COMUNIDADE

A Comunidade Portuguesa conta cerca de 80 mil pessoas, estabelecidas em Montreal, mas os Portugueses estão um pouco por todo o lado: Laval, Ste-Thérèse, Blainville, Gatineau, Brossard, Nicolet e também em Quebeque.

A nossa comunidade está no Quebeque há um pouco mais de meio século. A primeira no Canadá. A maior parte dos meus compatriotas vem dos Açores, exatamente como eu, que venho da ilha de São Miguel. Se lhe juntarmos as comunidades brasileira e angolana, ao todo, pode falar-se de cerca de 100 mil lusófonos no Quebeque.

MÉDIA

Ao nível dos Média, temos três jornais, dois programas de rádio, uma rádio 24 horas em circuito fechado, uma revista e dois programas de televisão.

Antes dos meus 14 anos no LusoPresse, um bimensal, fui chefe de redação dum outro jornal de língua portuguesa em Montreal, donde tenho ao todo 30 anos de experiência de jornalismo.

Na nossa comunidade, os Média não fazem todos a mesma cobertura. Alguns só veiculam a informação que vem do nosso país de origem. Pouco cobrem das notícias municipais, quebequenses e canadianas. Sendo o mais jovem destes jornais, decidimos inovar e cobrir a comunidade portuguesa local, incluindo todos os lusófonos. Com jornalistas no terreno. Cerca de 85% de notícias locais em cada número. Também nos interessamos à geração jovem.

CONTEÚDO (PORTUGUÊS)

Àqueles que se perguntam que género de notícias é que damos nas nossas páginas (o conteúdo), bom, falamos das nossas instituições, dos nossos artistas, dos nossos escritores, dos nossos profissionais – advogados, médicos, economistas – e também dos nossos desportistas. E isto porque os Média nacionais não falam deles. Claro, ocasionalmente falam de Carlos Leitão (economista), Horácio Arruda (Saúde Pública), Marc dos Santos (Impacto)... Mas os outros? Sim, sim, fala-se também do conhecido empresário Carlos Ferreira e dos seus restaurantes mas esclareço que há uns cinquenta restaurantes portugueses só na região de Montreal.

Entrevistamos também as personalidades de Portugal e da Lusofonia que passam por aqui: políticos, artistas, grandes chefes, etc. A este nível, quantas entrevistas é que eles dão a Christiane Charest, Michel Désautels e Céline Galipeau? Nenhumas, mas podíamos arranjar-vos muitas.

Há pessoas que dizem que a minha comunidade é uma comunidade bem integrada, portanto, sem problemas. Mas é precisamente por isso que devíamos ser solicitados com mais frequência de maneira a refletir essa realidade. O que não acontece. E, portanto, com a Lei 101 a nossa comunidade fez a viragem que tanto desejava René Lévesque. Quase todos falam francês.

LÍNGUA

Além disso, eu acrescentaria que os nossos Média, que lhes chamem comunitários ou étnicos, pouco importa, existem também para tentar, digo bem, tentar preservar a nossa língua portuguesa e as nossas tradições. Decerto que sabem que há mais lusófonos que francófonos no mundo. O português é a 5ª língua no mundo. Pensem no Brasil: 180 milhões. Insisto contudo no facto que o francês e o português são duas línguas latinas, daí que nos compreendemos facilmente.

OS NOSSOS LEITORES

Gosto muito deste jornalismo de proximidade. As pessoas falam-nos constantemente daquilo de que fala o jornal. Reação espontânea! Vai mesmo até ao ponto de confidências sobre a vida privada. Telefonam com frequência à redação do jornal a pedir informações e ajuda. Sentimo-nos perto deles! Por outro lado, é preciso também dizer que os nossos Média são muito frágeis devido a esta proximidade com um público cativo. Assim, se me passeio pelo bairro português, rua Rachel ou bouvelard St-Laurent, encontro-me com os nossos leitores. Se dissermos as coisas como elas são, objetivamente, talvez que o comerciante não fique contente. Adeus publicidade!

Outro handicap é quando alguém pensa que a sua importância na comunidade merece a primeira página do jornal e que no jornal de papel se veja relegada para as páginas de dentro... Então o telefone vai tocar logo de seguida. E depois essas pessoas não nos falam mais. Uma vez, fui mesmo agredido.

PUBLICIDADE

Um problema doutra ordem que aborrece os Média comunitários é a publicidade dita nacional. Companhias como Bell ou Hydro-Québec não jogam um jogo franco connosco. Vê-se a sua publicidade por todo o lado, nos grandes Média e nos Média regionais. Eles alegam que os nossos leitores são informados através dos grandes Média. Mas se os Média regionais e os de bairro, todos em francês, tiram proveito desta publicidade, por que não nós também?

PERCEÇÃO: GUETO

Para corrigir a perceção das pessoas, faço questão de afirmar que não somos Média de «gueto».

Ao contrário, somos em vez disso Média de tipo comunitário ou, se quiserem, de tipo regional, onde a informação a maior parte do tempo é muito diferente, sobretudo a que vem das escolas, dos clubes, das instituições portuguesas...

Será que há Médias «de souche» dispostos e capazes de fazer esta tarefa ligada às comunidades étnicas? Se a resposta é sim, eu estou pronto a acabar com os Média étnicos!

CONCLUSÃO: ABERTURA

Como conclusão, convido-vos a contactarem-nos, de colega para colega, quando precisarem de um porta-voz credível, um representante ou o bom contacto.

Muito obrigado!

Depois das quatro intervenções (Abdelghani Dades (jornal Atlasmédias), Donald Jean (agência Média Mosaïque), Jean-Ernest Pierre (rádio CPAM) e Norberto Aguiar (LusoPresse), houve lugar para um animado debate sob a coordenação de Martine Lanctôt (Rádio Canadá).

Vária
Pela primeira vez na história de 42 anos da FPJQ (Federação Profissional dos Jornalistas do Quebeque) foi dada voz aos jornalistas das Comunidades Culturais. Essa oportunidade aconteceu, como foi relatado na nossa última edição em trabalho de reportagem da autoria do nosso jornalista Jules Nadeau
Relato de Norberto Aguiar Congresso jornalistas.doc
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Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
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