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rss  Vol. XV - Nº 236         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 04 de Março de 2021
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No encontro com Kathleen Weil...

Política de Imigração: um debate sem fim!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Chegou ao Governo e logo foi empossada como ministra da Justiça e Procuradora Geral do Quebeque. De Agosto para cá, está à frente do Ministério da Imigração e Comunidades Culturais, em substituição de Yolande James, que passou para o Ministério da Família. Estamos a falar de Kathleen Weil, uma cidadã montrealense de origem anglófona – pai americano e mãe canadiana de terceira ou quarta geração – mas que fez os seus estudos sempre em francês até ingressar na Universidade McGill, sendo por isso uma verdadeira francófila. É advogada de profissão, casada e mãe de quatro filhos. Antes de chegar ao governo de Jean Charest, Kathleen Weil desempenhou, nomeadamente, o cargo de presidente da Régie régionale de la santé et des services sociaux de Montréal durante 20 anos.

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PhotoBy - LusoPresse

Depois de um período de adaptação, adjetivação nossa, a ministra da Imigração e das Comunidades Culturais decidiu convocar os jornalistas étnicos para um primeiro encontro, isto de maneira a aquilatar de propostas e ideias vindas das Comunidades Culturais de forma a balizar a sua ação ministerial no decorrer do seu consulado, que durará, espera-se, dois anos, o tempo que ainda medeia este governo das próximas eleições provinciais. Daí que na reunião de sexta-feira passada, numa das salas do Ministério da Imigração e Comunidades Culturais, o único que está instalado em Montreal – os outros têm as suas sedes em Quebeque – tivesse marcado presença uma trintena de representantes étnicos.

O debate foi feito numa base do «tu cá, tu lá», com a ministra a demonstrar grande poder de encaixe, por mor das críticas feitas a algumas políticas do governo sobre a Imigração, de que ela, por estar há muito pouco tempo em funções, pouca ou nenhuma responsabilidade tem. Apesar disso, Kathleen Weil, que assumiu as responsabilidades do que foi feito pela sua predecessora, centrou no entanto o enfoque no futuro do seu trabalho como responsável por um setor – Comunidades e Imigração – algo problemático, cujo exemplo dessas dificuldades são os «Acomodamentos Razoáveis».

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PhotoBy - LusoPresse

Entretanto, como pontos fulcrais da sua intervenção como ministra responsável do MICC, Kathleen Weil focalizou no «Recrutamento de novos imigrantes», de 50 a 55 mil por ano, considerando que estão em causa os aspetos económico e demográfico do Quebeque, o «Reforço da Língua francesa junto dos novos residentes» e, por fim, a «Integração no mercado do trabalho», isto numa altura de crise mundial. Apesar das dificuldades, a ministra disse que «Precisamos de cérebros e de braços», dando o exemplo de países como a Austrália, concorrentes diretos do Quebeque e do Canadá no recrutamento de imigrantes. Outra preocupação da titular do MICC é a retenção dos imigrantes no Quebeque. «Não podemos recebê-los, formando-os, quando for caso disso, e depois perdê-los para outros países ou províncias canadianas». Criar condições de integração plena, levando os imigrantes para fora de Montreal, para outras regiões de maneira a preencher postos de trabalho disponíveis também fazem parte do desejo da ministra. Neste caso falou-se em cidades como Quebeque, bem entendido, mas também de Trois-Rivières e Sherbrooke, regiões já com alguma experiência imigratória. «Também na imigração há que regionalizar».

Noutra direção, a ministra Kathleen Weil apontou para a diversidade de programas de apoio aos imigrantes já existentes. Considerando que alguns só precisam de ser retocados ou remodelados. Aqui, deu o exemplo do Acordo Quebeque/França, que já privilegia o reconhecimento dos títulos profissionais de ambas as partes do Atlântico. E na circunstância, a ministra disse que o Governo quebequense está aberto a que aquele acordo seja assinado com outros países. Também há muito interesse do seu governo em aproveitar os 25 mil estudantes imigrantes temporários para que acabem por cá ficar com o seu saber e formação.

No período de perguntas e respostas, os jornalistas, nalguns casos, duvidaram da intenção da ministra e do seu governo em relação à imigração, avançando com a ideia de que «a maior parte dessas propostas já são faladas há anos...». Noutros casos, aplaudiram a ministra pela determinação e interesse que demonstrou pôr futuramente na resolução dos difíceis dossiês que tem em mãos.

Finalmente, outra ideia importante que ficou do encontro com Kathleen Weil foi que todos os intervenientes no dossiê imigração têm que trabalhar em conjunto: governo, empresas, entidades educacionais e Média. «Há que sensibilizar todas as partes».

Nota final. Ficámos agradavelmente satisfeitos por sabermos que a nossa jovem compatriota Sylvie Garcia, antiga conselheira política de Jean Charest e de Christine St-Pierre (ministra das Comunicações da Cultura e da Condição Feminina) está de volta ao governo, agora como conselheira política adjunta da ministra Kathleen Weil. Nascimento de mais um filho foi uma das razões do seu afastamento.

Destaque
Chegou ao Governo e logo foi empossada como ministra da Justiça e Procuradora Geral do Quebeque. De Agosto para cá, está à frente do Ministério da Imigração e Comunidades Culturais, em substituição de Yolande James, que passou para o Ministério da Família.
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