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rss  Vol. XV - Nº 236         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 04 de Março de 2021
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Editorial

As boas e as más notícias

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Chegamos ao fim do ano. Com este número de Natal, entramos num pequeno período de férias. Estaremos de volta no início da segunda quinzena de Janeiro de 2011.

Olhando para trás, para buscar na atualidade algum sentido marcante que pudesse de algum modo caracterizar esta entrada na segunda década do século XXI, somos levados a concluir que o ano de 2010 não deve ter sido um ano muito glorioso.

Efetivamente, se nos fiarmos só às parangonas dos jornais, tudo parece coberto de negro.

Na Europa, a crise do Euro levantada pela crise económica dos PIIGS – Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (Spain) – a Europa periférica, como lhe chama a chanceler alemã, Angela Merkel – acentuou-se nas últimas semanas, a ponto de haver quem profetize o desmoronamento da comunidade e o regresso às moedas antigas.

Em Portugal, o país chicoteado pelos ventos violentos da crise económica e da ganância dos mercados financeiros, viu-se constrangido a aprovar medidas drásticas no corte das despesas públicas, particularmente nos serviços sociais, e no aumento de taxas e impostos, para fugir às garras do FMI. A mesma sorte não teve a Irlanda, com medidas orçamentais ainda mais drásticas.

No Quebeque, a Comissão Bastarache, a polémica sobre a lei do acesso à escola inglesa, as notícias da corrupção política com os meios da construção e sindicatos, ocuparam todo o espaço mediático durante quase todo o ano.

No Brasil, foi a luta armada contra os narcotraficantes, a limpeza das favelas pelo exército, quem ocupou, pelo menos nos últimos tempos, a atenção jornalística, como nuvens negras sobre o calendário do Campeonato do Mundo da FIFA para 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 em pano de fundo.

Nos Estados Unidos foi o confronto ente Republicanos e Democratas, por entrepostas milícias altissonantes dos Teapartiers que levou a Administração Obama a ceder em quase toda a linha, para manter o seguro de doença e o auxílio social aos pobres.

E no entanto também houve boas notícias, mas que para os Média passaram para segundo plano. É sabido que as boas notícias não vendem papel, nem tempo de antena.

Na Europa, a Alemanha começa a temperar a sua posição intransigente em relação aos PIIGS. Não obstante o velho continente estar hoje a ser governado, na sua maioria, por partidos de direita nacionalista e individualista – os euro céticos – a necessidade de a União avançar para a criação duma perequação que aplane as desigualdades económicas dos seus membros, como acontece com as províncias canadianas e com os estados americanos, começa a fazer o seu caminho. A ajuda europeia à Grécia e à Irlanda vão nesse sentido. As declarações da Chanceler Merkel, de ontem, sobre a sua confiança na Europa confirmam esta tendência para a criação duma Europa mais solidária.

Em Portugal, com um governo extremamente impopular, mesmo as boas notícias também ficam escondidas pelas más. Vêm, no primeiro caso, a melhoria significativa do Poder de Compra dos portugueses em relação à média europeia, segundo o Instituto Nacional de Estatística de hoje (dia 15 de Dezembro) e, na semana passada, os resultados do Relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2009 que coloca os alunos portugueses, pela primeira vez, dentro das médias europeias. Isto sem falar nos avanços extraordinários que os criadores portugueses têm alcançando em todos os campos da atividade cultural, comercial e industrial pelo mundo fora.

Aqui no Quebeque, o mesmo relatório PISA, do qual se serviu o jornal Le Monde para sublinhar o avanço dos alunos lusitanos, bem devia ter tido maior repercussão visto que, apesar de tudo quanto se diz de negativo sobre a escola quebequense, os alunos desta província ficaram em primeiro lugar no conjunto do Canadá e estão em segundo lugar no quadro mundial, apenas ultrapassados pela Finlândia (Entre parênteses os alunos dos Estados Unidos ficaram em 14º lugar).

Aqui no Quebeque, também se ouve e se lê muito sobre a corrupção, o compadrio e a máfia, como se todos os políticos não obedecessem que ao poder do dinheiro e da chantagem. E no entanto, apesar da crise económica agudíssima que aflige a maior parte do mundo, o mercado do trabalho tem vindo a melhorar, o preço das casas não sofreu nenhuma queda substancial e as últimas notícias sobre os investimentos para 2011 são encorajantes.

No Brasil, o facto do Presidente Lula ter conseguido que a sua protegida, Dilma Rousseff, ganhasse as eleições presidenciais e lhe suceda no poder, é como que uma garantia de continuidade na ordem e progresso que os dois primeiros mandatos de Lula impuseram ao país.

Afinal a realidade não é tão negra como parece. O que prova que a realidade não é a que lemos, ouvimos e vemos nos órgãos de comunicação. O que, afinal, é uma boa coisa. No dia em que as boas notícias tivessem de fazer a primeira página dos jornais seria mau sinal. Sinal que as boas notícias seriam raras. Só o que é raro é que merece notícia. Ninguém noticia que um cão mordeu um homem. Mas haverá notícia no dia em que um homem morder um cão!

Editorial
Chegamos ao fim do ano. Com este número de Natal, entramos num pequeno período de férias. Estaremos de volta no início da segunda quinzena de Janeiro de 2011.
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