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| Vol. XIV - Nº 228 | Montreal, QC, Canadá - | ||||||
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Vamos à Bola!(quarta e última parte) Por Duarte Miranda, colaboração especial"Habiamo Campione!"... eis que depois de trinta dias de fumaça negra, saiu do interior do estádio Soccer City de Joanesburgo a fumaça branca, acompanhada da cacofonia das vuvuzelas, anunciando a vitória da Selecção Espanhola. O mundo do futebol internacional tem os seus novos ídolos, e a Espanha os seus novos "Reyes"! Bem os haja! VIVA ESPAÑA! Mesmo se, de certa forma, os jogadores holandeses tinham razão para espernear como o fizeram depois do árbitro lhes ter negado o escanteio óbvio ao qual teriam tido direito, logo antes do golo de Andrés Iniesta, força é de reconhecer e aclamar que a melhor equipa ganhou o jogo... e o Mundial 2010. Pessoalmente, eu não sentia muita empatia pela selecção que tinha mandado a nossa para casa logo nos oitavos-de-final, e estava torcendo pela vitória dos laranjas. Mas, mais uma vez, não haja dúvida: a Selecção espanhola mereceu a conquista do título e o grande momento de euforia. Fiquei feliz em constatar que o próprio técnico holandês, Bert Van Marwijk, reconheceu no dia seguinte ao jogo que "a Espanha é uma melhor selecção e mereceu ganhar." O caminho percorrido até este jogo decisivo entre os Espanhóis e os Holandeses foi longo e, por momentos, penoso. E, que dizer das surpresas! Levante a mão quem tinha previsto as eliminações da França e da Itália, nas circunstâncias em que aconteceram. Melhor ainda, o que é que se passou com o Brasil e a Argentina? Era de esperar, parece-me, que uma semifinal em que o Brasil actuasse teria feito estremecer mais ainda as bancadas dos estádios sul-africanos, e aumentado a venda da cerveja nos nossos bistros da Main. Como eu tinha admitido logo na minha primeira crónica desta série, verdade que se escreva e diga, eu não sou nada mais do que um "amador", e a minha análise sobre um torneio da importância do Mundial 2010 contará sempre um certo número de pontos e afirmações discutíveis, no mínimo. Mas tenho a mesma paixão que os mais espertos "experts", e estou suficientemente informado (parece-me!) para lançar algumas de minhas próprias opiniões em relação a este Mundial. Aliás, muitos dos comentadores que tive a oportunidade de ver e ouvir em acção nas grandes redes de televisão, tanto aqui como em Portugal, estão longe de demonstrar no mínimo o mesmo conhecimento da matéria que a maioria dos "aficionados". Pior ainda, assim o senti, falta-lhes a muitos deles a capacidade para transmitir a paixão aos seus ouvintes, ou até mesmo alimentá-la. Aqui seguem, portanto, algumas dessas minhas opiniões e sentimentos resultantes deste torneio. Continuo pensando que o dinheiro foi o maior rei do torneio. Mesmo se, na verdade, essa riqueza nos dá acesso a mais brilho e luzes, ela acaba também por afastar cada vez mais gente das bancadas dos estádios que eles, afinal, pagaram com seus impostos. Obviamente que jamais sairemos desta realidade, mas pelo menos espero que as extravagâncias permitirão sempre para ajudar-nos a descobrir as capacidades desconhecidas e subestimadas de grandes povos, como foi o caso dos sul-africanos e, mais ainda, do GRANDE continente que é a África. Vindo da época em só podíamos acompanhar os relatos pelas ondas de rádio, dou-me conta também de que os passes muito curtos e frequentes que parecem cada vez mais prevalecer no futebol organizado tiram ao jogo a beleza e o exaltamento de outrora, quando ainda só se podiam acompanhar os relatos pela rádio, mas percebo que protegem mais contra os ataques do adversário. Aprendi também que os "bestas" são na verdade "bestiais", segundo a hora do dia e a pontaria do pontapé. Imaginemos a euforia que tomou posse do povo espanhol, logo a seguir ao golo do Andrés Iniesta: BESTIAL! A Espanha, pelo espaço de algum tempo - um dia ou dois - não vai nem ver a imensidão dos problemas socioeconómicos que a afligem e que tanto mal estão causando aos seus cidadãos. Pois é, o Mundial, para quem ganha, é um grande analgésico, mas pode adormecer se tomado em doses descontroladas. Alguém viu o nosso querido CR por aí? Anda desaparecido, parece-me. Foi um grande mundial sem dúvida. Descobrimos que existem outros umbigos que os nossos, e que os donos deles também gostam de os olhar. Descobrimos e aprendemos a admirar outros ídolos, tão bons e ágeis quanto os nossos: basta pensar no jovem Uruguaio, Diego Forlán, escolhido melhor jogador do Mundial, e novo dono do troféu Bola de Ouro. Descobrimos e podemos apreciar o quão bom é saber relaxar e ser a si mesmo, relaxando sobretudo os músculos traseiros, como soube fazer o grande Iker Casillas para beijar sua namorada, de maneira inesperada, diante das câmaras de televisão. Mas, descobrimos também que o mundo continua sendo habitado por um número de verdadeiras bestas como aqueles que assassinaram um grupo de aficionados do futebol no Uganda. Aqui termino este meu encontro com os leitores do jornal LusoPresse, e meu compromisso com meu amigo Norberto Aguiar. Espero que tenham encontrado algum elemento, quão pequeno fosse ele, em alguma destas minhas quatro crónicas, que lhes tivesse agradado. Permitam-me, no entanto, utilizar este espaço para mandar um recado a certas crápulas intelectuais que têm andado por aí a tentar sujar meu nome. Conheço pelo menos a identidade de uma dessas pessoas, mas outras, sem dúvida, virão a ser desmacaradas, e aí veremos... Diz o boato lançado por esse(s) espírito(s) insípido(s) e maligno(s) que as minhas escritas recentemente divulgadas e publicadas pelos nossos jornais comunitários, incluindo estas crónicas, sem dúvida, não seriam de minha autoria, mas sim do punho de outra pessoa - por quem, aliás, eu tenho grande respeito e admiração pela sua acuidade intelectual - já que eu seria incapaz de escrever matérias a tal altura. Jamais em minha vasta e experiente vida eu me deparei diante de tanta sujeira e baixeza. Infelizmente, há no nosso meio um certo número de pessoas que vão levando as suas vidas à procura do quanto dos bens dos outros (não necessariamente materiais) se podem apropriar para seu próprio benefício pessoal ou profissional. Já me deparei com alguns deles, mas nunca, nem mesmo a eles, mesmo quando divergi de opinião com eles, lhes faltei ao respeito. Temos a nossa boa dose de falsos "doutores"; de gente que se apropria de títulos profissionais que não correspondem às suas qualificações, mas que servem bem seus interesses pessoais; ou pessoas detentoras, sim, de verdadeiros títulos profissionais, mas que nunca conseguiram impor-se nas suas respectivas áreas. Tudo o que eu aprendi, tudo o que eu alcancei em minha longa e larga vida pessoal e profissional, fi-lo honestamente e à custa de muito trabalho e esforço, e nunca tive de me movimentar de uma afectação para outra segundo o tacho ou o favor de alguém ou de qualquer organismo. Sempre lutei e trabalhei. sem trafulhices, sem baixezas. Fui criado pelos meus queridos pais dentro dos mais altos escalões de ética e de responsabilidade. Entre outras coisas, ensinaram-me a NUNCA faltar ao respeito a quem quer que seja, e isso, minha esposa e eu, cuidadosamente e orgulhosamente transmitimos aos nossos filhos. Diz o velho adágio português que "Burro que muito zurra pede cabresto". Veja(m) bem!. Quanto a mim, diante de tais situações, além de assegurar, com todos os meios legais ao meu alcance, que minha honra e reputação não serão nunca atacadas, vou continuar buscando satisfação nas palavras que nos deixou o imensamente grande Albert Einstein: "Grandes espíritos sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres." Por outro lado, fico ao dispor dessa(s) pessoa(s) para debater, publicamente, verbalmente ou POR ESCRITO, em português, em francês, em inglês ou em espanhol, sobre qualquer assunto que possa ser de interesse mútuo. Bem haja! |
Acordo Ortográfico
Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade de referir noutro local. Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova. Contamos com a compreensão dos nossos leitores. Carlos de Jesus Diretor |
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