Clicar na imagem para fechar
[X]
Vol. XIV - Nº 228 Montreal, QC, Canadá -
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowArquivos arrowContacto arrowÚltima hora arrow RSS Feed

HORA FINAL

Vítor Carvalho

Por Vítor Carvalho

"Y Viva España!"

Apetecia-me ficar por aqui, sem mais palavras.

O Norberto ilustrava o feito com as mil e uma imagens/fotografias do(s) jogo(s) do 1.º título mundial de futebol espanhol, e por aqui ficava registado o meu tributo de felicitações aos vencedores, mesmo que eles nem saibam que os vi(mos) ganhar, tão pouco imaginem que um jornal da Comunidade Portuguesa de Montreal, Quebeque, Canadá, gosta de futebol e reconhece quem sabe praticá-lo com destreza, prazer, rigor, frieza e talento.

Ficava isto dito e eu cumpria o meu compromisso com o LusoPresse.

Pensei, porém: não, não é justo reduzir tal feito desportivo a "Y Viva España!"

Até porque tão redundante e frio olhar poderia deixar transparecer a "mágoa", "a raiva" da nossa eliminação por aqueles que viriam a ser campeões, quando não foi, mas não foi mesmo esse o meu sentimento. Mágoa foi, isso sim, aquele jogo ter confirmado o que já se adivinhava, o que já se demonstrara, o que já se tinha por minimamente exigível, o que já se antecipara por dignificantemente cumprido.

Mágoa foi, ainda, querer(em) impingir-nos a resignação, a falta de audácia, as virtudes de um futebol defensivo, anémico de ideias. Como uma fatalidade. Por mais que nos queira(m) fazer crer o contrário, os factos, os esquemas tácticos, os resultados, os discursos falam por si, não permitem outra leitura. Jamais chegaríamos mais além.

A propósito, permita-se-me reproduzir a seguinte ideia de José Saramago, no seu romance Caim: "A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele".

Com o devido respeito, atrevo-me a dizer que foi o que se passou com a Selecção Portuguesa, neste Mundial da África do Sul: "(.), nem nós o entendemos a ele, nem ele nos entende a nós".

E vai perdurar-me esta dúvida na história deste Mundial: havia lá homens que se julgavam deus(es) em desentendimentos com eles mesmos.

A Espanha está legitimamente em festa. Ostenta orgulhosamente o seu maior feito desportivo de uma selecção nacional. Partilha gloriosamente a vitória. Toda a Espanha, e particularmente a Catalunha, pelo contributo decisivo do Barcelona e dos seus "ninos", que deram e receberam de um homem visivelmente discreto, Vicente del Bosque, qual paternal figura cativante de sabedoria e experiência, atento à força da união, da humildade e da unidade, seguro do valor e competência de um grupo de jogadores não espartilhados por uma miríade de clubes, países, campeonatos, invenções. A selecção espanhola, constituída essencialmente na base de dois clubes, Barcelona e Real Madrid, na senda, aliás, do título Europeu de 2008, veio demonstrar que as (suas) estrelas são mais harmoniosas e brilhantes porque formam uma constelação. Uma constelação de campeões, que ganharam o Mundial no preciso momento em que perderam o primeiro jogo.

A História encarregar-se-á de perpetuar o feito, assim como perpetuará todas as particularidades da competição: jogadores, estádios, desilusões, faltas, penáltis, foras-de-jogo, golos, os melhores, a equipa ideal, o mais talentoso, o treinador, árbitros, o melhor golo, os adeptos, a cor nas bancadas, a televisão, as VUVUZELAS.

E o povo, de todo o mundo, de todos os mundos, de todos os falares, de todas as cores e trajares, de todos os sorrisos e de outras tantas lágrimas, de lugares e línguas, de costumes e de juventude, de irreverências, identidades, diferenças. O Mundo inteiro.

Em África, Nelson Mandela, Maradona, Dunga, Olegário Benquerença, Bill Clinton, Rod Stewart, Messi, Cacau, a Rainha Sofia, as camisolas, os visuais, os olhares. E a feminina beleza, a paixão de miúdos, o cantar dos hinos, os talismãs, as curiosidades.

E os ídolos, palpites, sofrimento, bizarrias, dribles, escaramuças, superstições e crenças. E os comentários. E tudo o que vai para além do imaginário, do desejo, do sonho.

O meu sonho era. O meu sonho foi. O meu sonho é. o Mundial de Futebol de 2018 em Portugal.


Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor
LusoPresse - 2012

Valid XHTML 1.0 Transitional