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| Vol. XIV - Nº 224 | Montreal, QC, Canadá - | ||||||
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«O Meu Mundo Português em Montreal»Por: «Brazuca»Animal estranho esse, o emigrante... que sai da sua terra em busca de sabe-se lá o quê, geralmente pensando num eventual regresso à terra-mãe... que a visita sempre que pode e que algumas raras vezes volta para sempre a ela, mas que no mais das vezes fica entre cá e lá, um pé aqui e o outro acolá, o corpo aqui mas o coração lá... que busca integrar-se ao mundo novo, mas que se recusa a apagar o antigo que vive dentro de si... Emigrante... às vezes saído em busca de aventura, novos horizontes, gentes e costumes, exóticos talvez... outras vezes em busca duma vida melhor, mais fácil ou menos penosa... ou de oportunidades mais justas... ou, ao contrário, de maiores oportunidades ou privilégios... outras vezes respondendo o chamado da alma-irmã que conheceu em algum lugar ou por algum meio...
Emigrante... cada um de nós que para cá viemos, quer tenhamos chegado do outro lado do oceano ou do outro lado do Equador... que falávamos e continuamos a falar uma língua que já não existe, pois era aquela que falávamos até o dia da partida emigrante e que ficou gravada para sempre em nosso córtex e em nossos ouvidos... música em nossos ouvidos, mas que denuncia nossa ausência tão logo abrimos a boca para dizer nosso destino ao motorista de táxi que nos acolhe ao chegarmos de visita à pátria amada... que já não é a mesma que deixamos há tempos atrás... Emigrante... palavra que soava tão estranha inicialmente nos nossos ouvidos brasileiros, acostumados que éramos a tão-somente conhecer os Imigrantes, dado que nos parecia que toda gente só vinha ao nosso país e que ninguém antes de nós buscava de lá sair... Estranho... todo esse esforço por aprender tudo daqui, língua ou línguas, usos e costumes, o que fazer e o que não fazer... e todo um outro esforço, quer seja consciente ou não, para guardarmos cuidadosamente em nós e em torno de nós toda aquela bagagem cultural que trouxemos... Emigrante... sentimo-nos em casa tanto aqui como lá... será mesmo?! e ao mesmo tempo nos sentimos um pouco estrangeiros tanto aqui como lá... cidadãos do mundo e ao mesmo tempo uma espécie de extraterrestres... bem em toda parte... e um pouco "de fora" em toda parte... Faz-nos sempre recordar Gonçalves Dias quando compartilhava conosco em "I-Juca Pirama" as emoções do seu exílio ao confiar-nos que "As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá"... Cidadão do mundo... ainda que extraterrestre! que privilégio o nosso, de viver aqui nesta metrópole de origem latina, de nacionalidades das quais algumas só conhecíamos pelo mapa... e ao mesmo tempo onde podemos facilmente lançar âncora e vivenciar nosso mundo em português... o meu mundo português em Montreal! O meu mundo português em Montreal... ah! que gostoso ouvir a nossa língua, qualquer que seja o sotaque que a colore... podermos exprimir nossas mais íntimas emoções nas nuances da nossa língua materna, da nossa única e permanente língua que veicula nossos sentimentos em todos seus matizes, na qual uma simples inflexão de voz já indica tanta mensagem adicional... Ah! o meu mundo português em Montreal! todo um mundo de sabores, de odores... de sons e de danças... de vozes e de formas... onde ficamos com gosto a prosear de tudo e de nada... onde cada novo interlocutor já chega como se fosse uma velha amizade, um amigo íntimo que nos entende e nos compreende melhor do que tantos outros que fazem parte do nosso quotidiano... O meu mundo português em Montreal... testemunha viva do meu passado, companheiro fiel no meu presente, baliza segura rumo ao meu futuro! Meu mundo português em Montreal... que aí está à nossa disposição, a satisfazer-nos todo nosso apetite de comunicação com o próximo... do sabor dum frango assado na brasa ao aroma duma "bica"... de uma empada ou um bauru à moda paulista a um pão de queijo à moda mineira... do nosso idioma ouvido na rádio ou na televisão, ou dele lido nos livros e jornais... da nossa música cantada e bailada... dos nossos nomes de patrícios que se destacam nas ciências e nas artes... do nosso mundo português em Montreal! Osman Sarmento |
Acordo Ortográfico
Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade de referir noutro local. Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova. Contamos com a compreensão dos nossos leitores. Carlos de Jesus Diretor |
| LusoPresse - 2013 | ||