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| Vol. XIV - Nº 224 | Montreal, QC, Canadá - | ||||||
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De Cá (de Portugal)Elementos de causa e efeito de influências na NOMENCLATURA do «PNPG»?Por Fernando PiresPorque é que o "PNPG" se chama Parque Nacional Peneda Gerês e não Parque Nacional Soajo Gerês (PNSG)? Será que o local e o lugar da Peneda actual não teriam sido antes "sujeito masculino" pela existência aí do "objecto fraguiço Penedo" e não Serra da Peneda emprestada à Senhora da Peneda com a fundação do lugar como residência dos pedreiros que construíram o Santuário? Quem era o curato da Gavieira (Gaviarra), antes da extinção do concelho de Soajo em 1852, senão o padre de Soajo? Depois da "Convenção Internacional de Londres" em 8/11/1933, à qual Portugal aderiu, criando a seguir o Decreto-lei nº 188 de 12/11/1948. Este decreto sobre o Parque é antes de tudo "a protecção da flora, santuários de caça, paisagens e reservas turísticas". Ora, a inclusão de "objectos" como o Santuário poderia muito bem ter servido a NOMENCLATURA do Parque, devido à influência religiosa? Como pôde prevalecer um conceito simbólico em benefício de um lugar, e de um fraguiço em vez do conceito histórico soajeiro fundado antes da independência da Nação? Será que o fundador do "PNPG" Peneda Gerês, engenheiro José Lagrifa Mendes, em nome da ciência da Natureza, teria apadrinhado a NOMENCLATURA do "PNPG"? Antes de mais, deve dizer-se para esclarecimento dos leitores que não "provoco" mas denuncio, esclarecendo com alguns "argumentos", não expondo aqui o período da Inquisição e dos Templários! Não sou historiador, tão pouco especialista em direito do dogmatismo canónico, apenas autodidacta nos meus tempos livres. Avancemos então dentro do nosso modesto conhecimento com alguns dados dos condicionalismos históricos e ideológicos, ligados à história política e religiosa do nosso Portugal. Todavia, a interligação político-religiosa fez com que ao longo dos tempos houvesse cumplicidade, hipocrisia e cinismo da hierarquia religiosa, desde o domínio do imperador romano, Constantino, no Concílio de Niceia (325 anos d.C.), implantado e oficializado o catolicismo, impondo a hierarquia eclesiástica da igreja No século havia já 52.000 santos diferentes. Até mesmo Santo Agostinho teve que se opor dizendo que: "não tratemos os santos de igualdade com Deus, nós não queremos imitar os pagãos que veneram os mortos". Em 1475 d.C., o Papa franciscano Sinto IV mandou construir a Capela Sistina do Vaticano, onde actualmente se escolhe o Papa, dando depois origem a todos os mosteiros e santuários que se construíram. No caso de Portugal, só depois da curta implantação da República é que houve separação da Igreja e do Estado. Veio depois a Concordata (acordo ou entendimento entre a Igreja e determinado Estado), o pacto do silêncio, cúmplice de Salazar com o Vaticano, onde deixou de existir soberania do Estado, e que prevaleceu até ao 25 de Abril de 1974, o obscurantismo. O culto mariano "chegou a Portugal" em 1754 (Santa Maria mãe de Jesus?), tem como condicionamento católico quase dois milénios! Daí o culto simbólico mariano representado pela Nomenclatura de todas as santas ou seja: Lurdes, em França, Senhora de Fátima, Senhora da Peneda, Senhora da Penha, Senhora da Conceição (estátua existente na Capela da Universidade de Coimbra), a Virgem Negra da Polónia, e tuti quanti. Isto de "recorrer aos santos" até pode representar uma mais valia, em termos económicos, mas também pode ser uma regressão da psiché/alma, para a evolução dos povos com o dogma religioso. Se o apelo a todo este simbolismo foi de criar recursos de subsistência em solos ingratos de populações locais miseráveis, isoladas, e sem outros recursos ao longo da história, verdade seja feita, ninguém pode ser contra esta virtude. Quanto à Nomenclatura que foi dada ao "PNPG", um nome tem como matriz a palavra TAXINOMIA, do grego "táxis", (classificação+nómos) que é lei, ou regra, de classificação científica. Quem estará mais próximo do baptismo dado ao "PNPG"? O conceito "natural científico" ou o conceito da lenda da pombinha aparecida à pastorinha no cimo do fraguiço? Ou da lenda pousada na neve? Diz-nos José Matoso que "a igreja contrapunha atitudes laicistas" quando da predominância do cartismo (período da Carta de 1820), Setembrismo de 1826-1828-1834-1836-1848! Entre estes períodos houve a seguir a guerra civil do absolutismo de D. Miguel de 1832-1850. A questão que se coloca agora como "argumento" é a seguinte: Será que o Decreto 187, em 1971, que criou o Parque Nacional Peneda Gerês teve um enquadramento científico? Ou seria uma revelação divina? Que valores ou influências prevaleceram na sua escolha? Supõe-se que quando o Eng. José Lagrifa Mendes criou o Parque foi "com o objectivo científico da preservação de sistemas naturais de grande interesse ecológico e universal". O que aconteceu foi que depois do 25 de Abril, "a Comissão Científica ainda hoje está por constituir" (Agricultura, Revista do M.A. P., 2/6/81). E porque razão o conceito de silvicultura de 1944 não prevaleceu na Nomenclatura como Parque da Serra de Soajo ou Parque Nacional Soajo Gerês? Para onde foi mandado o "conceito científico" da natureza soajeira da Serra de Soajo como Parque Natural? Visto que a história é feita de condicionalismos, façamos um pequeno reparo histórico em factos do Absolutismo do rei D. Miguel, que apoiado pela classe conservadora da Igreja contribuiu para a extinção de Soajo como concelho em 1852, fortalecendo a Gavieira (Gaviarra), com a criação de um lugarejo e uma serra que hoje se chama PNPG. Durante a Guerra Civil, Ponte da Barca estava ocupada pelos liberais, na pessoa do coronel Jerónimo de Vasconcelos. Chegaram as tropas do Miguelismo em Julho de 1832, a Igreja e o Absolutismo instalaram-se. Quanto aos Arcos, pelos vistos, nem sequer foi preciso mexer uma palha. Do outro lado da Ponte da Barca, os Arcos, desde há muito que já estavam no saco, "submetido" por servilismo ao rei da Vilafrancada! Diz-nos ainda José Matoso que "a norte do Mondego o clero miguelista desenvolveu uma actividade intensa contra as autoridades políticas e religiosas, através da exploração do sentimento religioso das populações, incitando-as com frequência à revolta contra o regime constitucionalista". Todos estes argumentos são concretizados pela reforma de igrejas "restauradas" ou construções semelhantes (caso arquitectónico, Peneda) tendo o Bom Jesus do Monte aberto as portas aos crentes depois do cartismo em 1857! "O Vaticano não só se opôs às transformações político-eclesiásticas, como deu o seu apoio inequívoco às forças absolutistas. Muito mais tarde, já depois do obscurantismo da Igreja ter de novo implantado o seu reino, foi "a vez do Bispo António Alves Martins, em 1867, como ministro do reino, de ser convidado a Roma para assinar um documento de infalibilidade, em benefício do Papa, que se recusou assinar". Se me perguntarem se um conceito local e patrimonial como o da Peneda, com fraguiços, pode ser defendido por um conceito científico, geográfico e histórico, eu diria, sim. A Igreja, apoiada na psiché/alma, pela crença dogmática do seu dogma, pode apesar de tudo, ajudar a repor a verdade do conceito patrimonial da Serra de Soajo, que geograficamente e historicamente, pela ignorância de instituições e indivíduos que desconheciam a história e o território, erradamente lhe atribuíram outras definições. Concluindo, quero aqui fazer minha uma citação de Alexandre Herculano que disse "a religião é uma ética não um dogma". Nós acrescentaríamos que o Vaticano tem um grande poder no "psichismo" das almas no mundo ocidental. Por isso, continuo convicto que o predomínio católico prevaleceu como NOMENCLATURA em nome da Serra da Peneda e do "PNPG", cometendo uma injustiça com os factos históricos em proveito da religião! De modo que continuámos a pensar que a Nomenclatura da Serra da Peneda é uma criatura da Igreja, que deu origem ao lugar da Peneda, servindo e acaparando-se depois da NOMENCLATURA do Parque Nacional Peneda Gerês em seu benefício, para um turismo religioso de massas, excluindo a Serra de Soajo do Parque Nacional que tem na sua origem TAXIONOMIAS! PS: As reportagens da telenovela na RTP internacional, no que diz respeito ao conhecimento regional do Alto Minho, chegou ao cúmulo da ignorância quanto ao "Deixem que me leve para a Peneda"! Referências: Peneda Altar de Fé, Gavieira, Arcos de Valdevez, 1875; Parque Nacional Peneda Gerês, Texto de João Meneres, Associação de Fotografia do Porto, 1976; Os Santos Esperam mas não Perdoam (Estudo Sobre a Romaria da Peneda), 2002, José Pinto; Enciclopédia Verbo, Volume n.º 9-27-17-14-5; Grande Dicionário de Língua Portuguesa, Novembro 2002; Guia de Portugal Entre Douro e Minho, Segunda Edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Maio 1986; História de Portugal, Círculo dos Leitores, Direcção de José Matoso, Quinto Volume, 1993; Especial Documentação 5, 1982, Parque Nacional Peneda-Gerês, ASPA, 4700 Braga; O Nascimento da Europa (As grandes épocas do homem), Colecções Time-Life, 1971. |
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