Eleições Federais
Dos cinco partidos, três contam com portugueses
Por Norberto Aguiar
Mário Silva deputado
Foto LusoPresse
Na nossa última edição, no artigo que assinámos sobre a candidata liberal de origem portuguesa Alexandra Mendes – uma excelente candidata, diga-se desde já –, apresentámos ao mesmo tempo o leque de candidatos do Partido Liberal do Canadá de uma ponta à outra do país. Dois candidatos pelo Quebeque – a citada Alexandra Mendes e João Neves –, e dois no Ontário – Mário Silva e Orlando da Silva. Nas outras províncias, e são mais oito, isto sem contar com os três territórios, nem mais vivalma!
Mas se no Partido Liberal os candidatos não abundam, a verdade é que nas restantes quatro formações políticas o panorama não é melhor!

Vejamos:
Bloco Quebequense
Comecemos pelo Bloco Quebequense, um partido à nossa mão de semear. De Gatineau à Capital Nacional; de Sainte-Thérèse a Montreal nem um nome para amostra. Numa comunidade com cerca de 70 mil almas, diz-se, talvez para impressionar, é verdade, não há nesta formação política nenhum português ou lusodescendente capaz de se candidatar? Em campanhas anteriores pusemos esta questão aos seus dirigentes. Este ano, não.
Mas a bem da verdade, devemos dizer que consideramos o Bloco Quebequense como o partido que tem menos responsabilidades de falta de candidatos lusos nas suas hostes. O problema da independência do Quebeque limita o seu raio de acção. E, depois, haverão certamente potenciais candidatos que têm relutância em exporem-se. Compreende-se.
Partido Verde
Não queremos enveredar pelo campo das desculpas, mas a verdade é que, também aqui, compreendemos a falta de lusitanos na lista deste partido.
Negligenciado por quase todos, só agora o Partido Verde do Canadá começa a ganhar forma de uma verdadeira formação política. Digamos que este partido começou a ganhar algum protagonismo com a chegada de Elizabeth May. Daí que ainda o tempo tenha sido curto para grandes explorações no campo do recrutamento de candidatos, com enfoque na Comunidade Portuguesa. Por outro lado, há também que reparar na condição primeira dos portugueses, sabendo-se que neste momento as suas maiores preocupações estão mais centradas para o apuro e instrução dos filhos do que propriamente para o problema do Ambiente.
Partido de cariz nacional e que agora começa a ganhar outro protagonismo, Os Verdes, sobretudo se elegerem algum deputado, terão que ter, numa próxima campanha eleitoral, consideração pela Comunidade Portuguesa... Se não, estaremos aqui para favorecer a crítica.
Novo Partido Democrático
Próximo de uma pequena elite portuguesa de Toronto, o Novo Partido Democrático, a exemplo de campanhas anteriores, também tem nas suas fileiras vários filiados de origem portuguesa. E de entre todos eles, sobressai Peter Ferreira, um antigo presidente do Congresso Nacional Luso-Canadiano e especialista em questões de Imigração. Peter Ferreira, se a memória me não atraiçoa, concorre pela segunda vez a um acto eleitoral canadiano. O pior, neste caso, é que Peter Ferreira terá dois compatriotas como adversários. Um que veremos adiante e o outro que é Mário Silva, do Partido Liberal e actual deputado pela circunscrição de Davenport, em plena Baixa de Toronto, onde está concentrada uma grande parte dos portugueses.
No resto, e há falta de melhor, há Fernando Não, no círculo eleitoral de Fleetwood-Port Kells, na Colômbia Britânica, e Keith Pinto, em Mississauga-Streetville. Ambos são de origem goesa.
Partido Conservador
Apesar da pouca simpatia que desfruta junto da Comunidade Portuguesa, o Partido Conservador do Canadá sempre tem contado com um ou outro candidato de origem portuguesa, alguns deles por puro oportunismo, ou nítida «pressa» em aparecer e rapidamente dar nas vistas. Conhecemos alguns candidatos da nossa comunidade que concorreram por esta formação política, no Quebeque e no Ontário, mas que, depois, da política pura e simplesmente desapareceram...
No acto eleitoral do próximo dia 14 de Outubro o Partido Conservador conta com a candidata Theresa Rodrigues, por Davenport, a tal circunscrição onde o deputado forçosamente será português pela força das circunstâncias. Em 2006, ganhou Mário Silva do Partido Liberal. E em 2008, quem ganhará?
Entretanto, a única representante da nossa comunidade no seio dos «azuis federais» é uma mulher decidida, muito virada para as questões do Ensino e da Imigração. Ela é casada e mãe de cinco filhos. É a terceira vez que Theresa Rodrigues concorre a um acto eleitoral.
Troy de Souza, outro candidato de origem goesa, concorre pelo círculo eleitoral de Esquimalt-Juan de Fuca, na Colômbia Britânica. E tal como Fernando Não, também é advogado.
Partido Liberal do Canadá
Visto como o partido que recolhe maiores simpatias da parte dos portugueses de todas as províncias, a verdade é que o Partido Liberal do Canadá pouco tem feito para que haja mais deputados de origem portuguesa na Câmara dos Comuns. Nem mesmo Pierre Trudeau, um Deus para muitos lusitanos deste país, conseguiu recrutar alguém que pudesse chegar a deputado. Valha-nos Paul Martin, que foi quem deu uma grande oportunidade à Comunidade Portuguesa de Toronto, ao escolher o jovem Mário Silva para esse primeiro papel: sentar-se num dos cadeirais do Parlamento. Mas neste aspecto, os outros partidos federais, e provinciais, que os municipais têm tido política bem diferente, têm sido muito piores. No entanto, diga-se em abono da verdade, a Comunidade também não ajuda nada, pois nem se manifesta, a reclamar por poder, nem se inscreve nos partidos para poder participar nos debates.
Posto isto, relembremos que Mário Silva concorre por Davenport – é o actual deputado –, e Orlando Silva, por Kitchener/Conestoga, no Ontário. No Quebeque temos a Alexandra Mendes por Brossard/La Prairie, e João Neves, que agradeceu a nossa nota no jornal «o único órgão de Informação que falou da minha candidatura!», em Rivière du Nord (região de Saint-Jérôme).
Sem carga partidária, aqui ficam os votos de boa sorte para os nossos compatriotas candidatos.