(Massachusets) USA
Coisas da política
Manuel Calado
Pois em cada dia que passa, são mais vidas humanas sacrificadas no altar de uma guerra que assumiu proporções culturais e religiosas, quando não foram encontradas as tais armas de destruição maciça.
De qualquer modo, quero apenas notar alguns desenvolvimentos ocorridos nos últimos dias, em pontos nevrálgicos da nossa política e dos nossos interesses. No Iraque, o novo primeiro-ministro do governo democrático, disse estar pronto a conceder amnistia aos insurgentes, uma vez que se comprometam a cooperar com o governo, no estabelecimento de um regime estável, para bem de todos. Esta proposta está ligada à retirada das forças americanas a mais breve possível.
Isto do primeiro-ministro falar na retirada das forças invasoras sob erróneas pretensões, parece ser de bom augúrio. Pois em cada dia que passa, são mais vidas humanas sacrificadas no altar de uma guerra que assumiu proporções culturais e religiosas, quando não foram encontradas as tais armas de destruição maciça. Quando estas não foram encontradas, o objectivo passou a ser o estabelecimento de uma democracia no coração do mundo Islâmico.
Todos sabemos que democracia e islamismo não combinam. Os
mullahs são “
bosses” culturais e espirituais que dominam os quereres e não creres das sociedades islâmicas. Os fundamentalistas de qualquer crença religiosa, estão tão convencidos da sua “verdade única” que não admitem qualquer interferência na sua maneira de vida. Lá, os direitos das mulheres são idênticos aos das nossas bisavós, nos primeiros tempos do cristianismo. E ainda hoje os saudosistas desejariam que a mulher se resumisse apenas ao seu papel de cozinheira, empregada de limpeza, procriadora e servente submissa dos desejos testosterónicos de seu parceiro. Era assim também que os cristãos barbados e guerreiros do tempo das Cruzadas, concebiam o papel da mulher. E é assim, com poucas excepções, que os muçulmanos ciumentos continuam a aceitar o papel da mulher. Por isso são contra a democracia, que crêem ser um instrumento de penetração do cristianismo e do judaísmo ocidental.
De qualquer modo, o facto de um primeiro-ministro do Iraque pedir a cooperação dos insurgentes responsáveis pela maioria dos actos de terrorismo que estão semeando o caos no país, parece ser de bom augúrio. No entanto o nosso presidente tem dito que só se retirará depois da “vitória” sobre o terrorismo. Que tipo de vitória é que ele terá em mente? Vitória no campo de batalha? Se é este tipo de vitória, parece-nos que o Sr. Cheney, o seu mentor, que tem dificuldade em acertar numa perdiz, está muito enganado. Os fanáticos não se matam nem com bombas inteligentes nem sequer atómicas. Qualquer solução para a guerra terá de ser diplomática, mediante concessões de parte a parte.
Como todos sabem, nós fomos os primeiros a pedir neste espaço a retirada das nossas tropas do Iraque. No tempo em que era ainda “traição à pátria” tal sugerir. Desde então, lá morreram no Iraque, ingloriamente, mais de três mil soldados, sem termos avançado um passo no caminho da vitória. Os ataques suicidas sucedem-se, e soldados americanos estão caindo todos os dias mortos e feridos, corporal e emocionalmente. Continuar, assim, com “o mesmo e mais forte”, como a célebre filarmónica açoriana, que só sabia uma peça, será pior emenda que o soneto.
O que nos surpreendeu foi ouvir algumas vozes democráticas do Congresso gritarem, imediatamente, que conceder amnistia aos presos políticos do Iraque acusados de actos terroristas, seria inadmissível o que sugerem estes senhores e senhoras? Têm algum plano na manga que possam mostrar à gente? A única alternativa é continuar a guerra sem esperança de “derrotar” como quer o nosso presidente, todos os terroristas do Iraque. Será bom lembrar que no tempo de Saddam Hussein, não havia terroristas no Iraque. Os que vieram atacar os arranha-céus de Nova Iorque, eram da nossa petrolífera Arábia Saudita, amiga da família Bush. Assim como saudita é o terrorista máximo e milionário Bin Laden, que nunca conseguimos apanhar, e passamos a acusar o Saddam, de crimes que ele não cometeu.
Coisas feias da política…
New Bedford, Massachussets (USA)