No âmbito do 9 aniversário
LusoPresse recupera «Memórias»
Por Norberto Aguiar

O jornal LusoPresse apareceu pela primeira vez nas bancas da comunidade a 1 de Dezembro de 1996, mas só foi registado a 7 de Janeiro de 1997. Por isso, os festejos dos nove anos de vida do LusoPresse têm deambulado pelos meses de Dezembro e Janeiro. Nos últimos anos tem dado mais Janeiro do que Dezembro, o que vai dar ao mesmo, pois o que interessa é promover o aniversário de um jornal que veio trazer, a nosso ver e dos nossos seguidores, uma lufada de ar fresco ao nível do jornalismo comunitário. De resto, em altura própria escalpelizaremos essa influência do LusoPresse.

Hoje, vimos apresentar mais uma iniciativa do LusoPresse no âmbito do nono aniversário. Trata-se da organização de uma Mesa-Redonda, com a participação de nove pessoas ligadas há muito tempo à nossa comunidade e que sendo autênticas memórias da vivência lusa desta terra, têm muito para contar. De resto, os vindouros têm necessidade de conhecer o que foi feito, e como foi feito, o nosso percurso de 50 anos de Imigração neste país. Com esse objectivo, o LusoPresse decidiu convidar nove pessoas, uma por cada ano do jornal, para nos falarem, de per si, sobre a sua experiência no seio da «colónia». Os temas são variados e vão da música à cultura popular (folclore), passando pela língua, jornalismo, acabando no desporto.

Como já dissemos, escolhemos pessoas cuja vivência comunitária não oferece dúvidas. Todas são pois pessoas com mais de 30 anos de Canadá e que desenvolveram actividades nos seus respectivos campos de acção, senão vejamos:

- João Mendonça, o mais reputado maestro da comunidade. Formou grande parte dos músicos actuais das três filarmónicas lusas de Montreal. Além disso, foi ele próprio um dos principais, senão o principal fundador da Filarmónica Portuguesa de Montreal, a primeira banda lusitana do Quebeque. Com 96 anos de idade, João Mendonça, perfeitamente lúcido, tem muito para contar sobre as suas e outras experiências. Há muito que o LusoPresse queria ouvir esta autêntica enciclopédia comunitária.

Recorde-se que o maestro João Mendonça, escandalosamente esquecido pelas autoridades portuguesas em termos de reconhecimento público aqui, e na Madeira, onde nasceu; nos Açores, onde casou e dirigiu as mais diversas bandas de música açorianas. Cá por nós já fizemos o nosso dever escolhendo-o Figura Musical Comunitária na festa de gala do LusoPresse do ano de 2003. Mas esse reconhecimento público governamental ainda pode vir a tempo... Só é preciso que um qualquer «olheiro» que ande por aí faça chegar o seu nome à secretária do responsável das Comendas em Portugal?!... De resto, comparando alguns dos comendadores comunitários que por aí andam com aquilo que fez e deu à comunidade o maestro Mendonça...

- Tadeu Rocha, sem dúvida o maior voluntário masculino da Comunidade Portuguesa local e por sinal também um dos galardoados dos Prémios do LusoPresse, igualmente em 2003, tal como o maestro Mendonça. Também como João Mendonça, é outra das pessoas que há muito já deveria ter merecido colocar uma Comenda na lapela. Infelizmente e até hoje nunca Tadeu Rocha teve um qualquer «corredor» de abaixo-assinados que se lembrasse do seu nome...

Primeiro fundador da Casa dos Açores, em 1978, organismo que «carregou» quase sozinho durante vários anos, isto com nítido prejuízo pessoal, Tadeu Rocha ainda colaborou com organismos como o Centro Português de Referência e Promoção Social, hoje Centro de Acção Sócio-Comunitária, a Missão Santa Cruz, A Voz de Portugal, Festas do 10 de Junho, etc., etc. Tadeu Rocha, em nossa opinião, também tem muito para contar sobre esta comunidade. Vá fazê-lo no decorrer da Mesa-Redonda do LusoPresse.

- António Lourenço, outro homem com uma vivência comunitária muito rica. Fundador do primeiro rancho folclórico português nos primórdios dos anos 60, daí para cá António Lourenço e o seu Rancho Folclórico Português de Montreal nunca mais pararam de «derramar» a cultura popular portuguesa por estas paragens e sabe Deus quantas vezes à custa de muitos sacrifícios pessoais, já para não falar nos financeiros. Por curiosidade, lembre-se que António Lourenço também é galardoado dos Prémios LusoPresse, ano 2004. Neste domínio, como os seus dois colegas anteriores, ninguém bate António Lourenço. E por ser assim, António Lourenço vai poder contar muitas histórias interessantes no decorrer do nosso encontro.

- Roldão de Andrade, pessoa de quem temos as melhores referências, esteve ligado à fundação da Associação Portuguesa do Canadá que está a comemorar os seus 50 anos. Para além disso foi dono da primeira livraria portuguesa da comunidade, o que só por si é um feito do outro mundo. Pioneiro dos pioneiros, pois chegou ao Canadá, vindo da Venezuela, em 1952 e ainda por cá anda. O LusoPresse sabe que Roldão de Andrade, com 53 anos de Quebeque tem todo um manancial de histórias para deixar aos leitores do nosso jornal, que ficará como arquivo de alta qualidade.

- Joaquim Neto, conhecido empresário do ramo do turismo, hoje em gozo de merecida reforma, esteve, melhor dizendo, ainda está ligado ao dia-a-dia da comunidade, fazendo actualmente parte do Conselho de Administração da Caixa de Economia dos Portugueses de Montreal.

Chegado ao Canadá em 1960, Joaquim Neto é um homem com muito para dizer, pois no decorrer da sua vida nunca se afastou dos nossos organismos, fossem eles a Caixa, a Associação Portuguesa do Canadá, e muitos outros. De resto, pelo que nos contaram, Joaquim Neto chegou a ter, em certa altura, mesmo relações privilegiadas com as entidades políticas locais de que beneficiaram muitos dos nossos organismos. Fossem salas para reuniões ou ginásios para os treinos das equipas de futebol, nomeadamente do antigo Luso Stars, tudo o Senhor Neto arranjava. No encontro do dia 29 vamos saber algo mais.

- Maria Luísa Fernandes, ex-funcionária consular, na reforma actualmente, e chegada a Montreal ainda nos anos 60, é outra das enciclopédias desta comunidade, sobretudo pelas funções de conselheira cultural que ocupou no Consulado durante muitos anos e que por isso foi obrigada a acompanhar tudo o que se fazia nesta comunidade.

Mulher de carácter, que em certas ocasiões a prejudicou, Maria Luísa Fernandes vai com certeza desenvolver uma visão da comunidade algo diferente dos demais, o que só traz nítidas vantagens aos organizadores da Mesa-Redonda.

- José Pereira, minhoto de gema e apaixonado pelo desporto, sobretudo pelo futebol, José Pereira foi o primeiro português da então «colónia» portuguesa de Montreal a ter responsabilidades desportivas no seio da sociedade de acolhimento. Começou por fazer parte duma equipa de futebol profissional da cidade, treinou quase todas as equipas de futebol da comunidade, e esteve ligado aos Jogos Olímpicos de 1976, para além de ter sido jogador de futebol. É desta grande vivência desportiva que José Pereira nos vai falar na festa do nono aniversário do LusoPresse.

- António Pedroso foi das primeiras pessoas que me deram a oportunidade de escrever para um jornal da comunidade a outra pessoa foi o malogrado José Aranha Eires. Na altura ele era o director do jornal A Tribuna. Logo naquela altura ficámos com óptima impressão do homem. Infelizmente, por razões várias, os nossos caminhos afastaram-se. Eu fui colaborar para O Emigrante é hoje o actual Jornal do Emigrante e António Pedroso tranquila mas seguramente foi deixando a comunidade. De resto, o jornal A Tribuna não teve vida longa. No dia 29 vamos querer saber mais coisas sobre A Tribuna quantas pessoas na comunidade se lembrarão deste jornal? --, isto para além de muitas outras experiências vividas por António Pedroso, o terceiro director de um jornal naquele tempo os outros eram Armando Barqueiro e José Aranha Eires. Pouco explorado, pensámos que esta colaboração de António Pedroso no campo do jornalismo era pouco menos do que divina.

- Odete Cláudio. Conhecida principalmente como professora das Escolas Santa Cruz e Lusitana, Odete Cláudio é muito para além disso, a começar pelo facto de também ter sido está na reforma professora de Matemática nas escolas locais e de ter já escrito meia dúzia de livros, alguns de cariz exotérico, mas outros, por exemplo, ligados à culinária portuguesa. Odete Cláudio, com presença na comunidade desde o início dos anos 60, esteve sempre ligada ao ensino da língua portuguesa, tendo formado muitos e muitos alunos, o que a todos nós portugueses muito nos orgulha.

Pelo seu trabalho em defesa e promoção da nossa língua desde sempre, ligada à sua condição de escritora, o LusoPresse também fez de Odete Cláudio uma recipiendária dos Prémios do LusoPresse, ano de 2004.

Depois de Roldão de Andrade foi Odete Cláudio quem «carregou» com o peso de continuar a dar vida à única livraria portuguesa da comunidade. Infelizmente não por muito tempo. Outro assunto a considerar no decorrer da nossa Mesa-Redonda.

Como vêem, um leque de pessoas que em muito vão prestigiar mais esta promoção do LusoPresse, agora no âmbito das festividades do seu nono aniversário. A Mesa-Redonda será levada a efeito, como já se disse, no Restaurante Chez Le Portugais, no domingo, dia 29 de Janeiro, às 13h00, no decorrer de um almoço preparado exclusivamente para esse efeito. O resultado do debate será, depois, transcrito pelos jornalistas do LusoPresse e apresentado em edição futura do jornal.