EDITORIAL
Boisclair, a melhor escolha do P.L.Q.
Por Carlos de Jesus

O Partido Quebequense tem um novo chefe, André Boisclair. Um chefe que foi eleito incontestavelmente pela maioria dos seus militantes. 53,68 porcento dos 105259 votantes deram-no como preferido logo na primeira volta, deixando Pauline Marois, (30,6 %), Richard Legendre(7.5%), Louis Bernard (5,5%) , Pierre Dubuc (5,5%), Jean-Claude St-André (0,9%), Ghislan Lebel(0,4%), e Jean Ouimet (0,2%) sem qualquer hipótese de recontagem, embora haja provas de que houve um cão, uma planta e uma criança que também deram o seu voto. (Os incrédulos poderão ver a demonstração na emissão Infoman de Radio-Canada, na próxima sexta-feira, às 19:30h).

Todas as sondagens davam Boisclair como vencedor, mesmo depois de se ter sabido que ele tinha um passado que deva flanco à crítica. Não ouve portanto surpresa para os que tinham seguido os debates e as sondagens. Dir-se-ia que os militantes estavam resolutamente dispostos a deitar pela borda fora os baby-boomers que fundaram e sustentaram o partido, preferindo claramente ser dirigidos por um jovem com defeitos que por uma mulher de idade madura e com experiência. Terão feito uma boa escolha? Não me parece que sim, e a esta hora os seus adversários já se devem esfregar as mãos pelo facto do P.Q. ter escolhido o mais vulnerável dos candidatos. Penso mesmo que o actual Primeiro-Ministro Jean Charest vai fazer todos os possíveis para declarar uma eleição parcial o mais rapidamente possível, numa circunscrição disponível, para o obrigar a fazer face à Assembleia Nacional, uma arena onde as questões não poderão ser escamoteadas.

Porque é que André Boisclair é o preferido do Partido Liberal do Quebeque? Porque Boisclair é na verdade o mais vulnerável de todos os candidatos que os pequistas tinham a eleger.

Primeiro pela forma como geriu a questão do consumo da droga. Deu prova de pouca transparência e de mau controlo emocional. Não só levou tempo a responder às acusações e quando o fez procurou passar por um erro de juventude. Afinal veio a saber-se que tinha sido numa altura em que já era ministro e que se tinha drogado com cocaína. Perante a insistência dos jornalistas os seus militantes procuraram contra-atacar, mostrando-o como vítima dos seus adversários e ele próprio foi ao ponto de acusar os jornalistas de agressão física por estes lhe terem posto na frente um ramalhete de microfones. E nunca se ficou a saber, apesar de todas as declarações e insistências, durante quanto tempo e de que modo tinha obtido a droga. Viesse donde viesse toda a gente sabe que é uma droga criminal e que qualquer cidadão que fosse descoberto com uma tal mancha no seu dossier seria imediatamente despedido. Com um tal dossier como é que ele pode aspirar a primeiro-ministro?

Segundo, a sua experiência política é de longe inferior à de Pauline Marois que chefiou todos os ministérios importantes do Governo indo até a vice-primeiro-ministro. Boisclair passou rapidamente por pequenos ministérios onde não deixou grande marca relevante, com excepção do ministério do meio ambiente que deixou muitos ecologistas desiludidos.

Em terceiro lugar, é o chefe de partido com menos habilitações literárias que todos os seus antecessores. Nunca acabou o primeiro ciclo da Universidade e embora tenha um diploma de mestrado da Universidade Harvard, trata-se dum diploma contestável que se obtém em 6 meses e não em 5 anos como no Quebeque (3 de bacharelato e 2 de mestrado) Daí a dizerem que é um economista diplomado de Harvard vai uma grande distancia

Em quarto lugar, e por muito que seja politicamente incorrecto de apontar o facto, trata-se dum homossexual assumido que, no mínimo, deixará muito embaraçado o chefe do protocolo das reuniões mundanas onde os chefes de estado se fazem acompanhar das esposas e ele do seu «chum» como o disse candidamente na emissão «Tout le monde en parle».

Ora, se os militantes consideraram que Pauline Marois, uma mulher com experiência e cujo sexo representa mais de 50 por cento da população, não era a melhor candidata, como é que um homossexual, que não deve representar mais do que 3 a 4 por cento da população masculina vai atrair o eleitorado?

Em quinto lugar, a questão da sua orientação económica, mais próxima dos neo-liberais da ADQ de Mário Dumont que da ala sindicalista sócio-democrata que tem sustentado o P.Q. Será que esta vai ser a ocasião sonhada para que o movimento sindicalista se divorcie da política e se concentre na defesa dos trabalhadores? Se assim for nem tudo será perdido. O futuro próximo nos dirá, e muito rapidamente, se os militantes pequistas fizeram a boa escolha para o P.Q. ou para o P.L.Q. ou mesmo para a ADQ.